Opinião: Carnaval da Derrota


Carnaval é no fundo o compromisso festivo com a cultura de cada povo ou nação.
Crédito de Angop

Ora bem, ontem carnaval da vitória e do povo. Hoje carnaval da elite e dos vitoriosos em prol do dinheiro, e não dá cultura manifestada pelo povo. 

O que ontem era uma mega manifestação cultural, hoje, se tornou numa manifestação entre grupos com interesses puramente de ordem financeira. O dinheiro substituiu o espírito, ou seja, os valores da real cultura carnavalesca. Onde o povo e os grupos eram o sal, ou o tempero dessa grande anual festa cultural “nesse caso, o carnaval”. 

Muitos são de opinião que o estado do nosso carnaval se encontra numa fase mui crítica, se não mesmo doentia por causa da crise que assola o país. Para mim não é essa o cerne da questão, se não mesmo uma crise cultural que tem assolado espirituosamente o Angolano do hoje e do ontem. 

O carnaval “hoje em dia” está para lá de uma concorrência de grupos de bairros distritos ou municípios, que uma mega festa cultural do povo. O povo vivia na pele e na alma de forma intensa e festiva o carnaval. Ou seja, as pessoas viviam o carnaval, fora da vaidade e da órbita financeira.

Honestamente falando “com a escrita”, a muito que o carnaval deixou de ser do povo, para passar a ser de uma elite concentrada na marginal, ou em locais concorrenciais e indicado por uma instituição governamental. Que invés de perpetuar a cultura do povo, banaliza e mata a cultura do povo. 

O povo perdeu o interesse de viver o carnaval feito nas ruas. Aliás, ela foi substituída pelo sofá, pipocas e Televisão, em suma, mídia. 

Onde foi parar a real identidade do carnaval que no passado era vivido nos bairros, ruas ruelas nas aldeias cidades e etc.? Será que estamos numa fase de evolução, ou é mesmo retrocesso? Injectar muito dinheiro aos grupos carnavalescos e não só, dá mais qualidade ao nosso carnaval? 

Uma coisa é bem verdade, evoluir sem deixar de lado a autenticidade cultural, é melhor que evoluir de forma alienante! Não é à toa que a cultura esta acima de qualquer valor monetário! Devemos investir na cultura com interesse de perpetuar a cultura, e não o contrário.

Bem dizia o primeiro presidente da República de Angola António Agostinho Neto:  As nossas tradições, havemos de voltar. A nossa cultura, havemos de voltar. Ao nosso carnaval, havemos de voltar. No fundo era uma mensagem de vitória e de afirmação cultural do povo Angolano, embora contra o regime colonialista português. 

Para nossa actual realidade, essa mensagem até faz algum sentido. Ontem, vencemos o colonialismo, e impusemos o nosso carnaval. Hoje, aceitamos o colonialismo mental, e derrotamos automaticamente o nosso carnaval. 

Em suma, o nosso carnaval está derrotado, porque perdeu a sua essência e o seu valor simbológico!

Crónica & Autoria de : João Niango Ngombo Kina O Mar Negro Moufty.

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