Seios de adolescente cresce descontroladamente


Tristeza de Eva é tal que leva qualquer ser humano, imbuído de amor e compaixão, a lacrimejar. E foi o que aconteceu com a repórter, após a conversa com ela.

Não se sabe, ao certo, o que a menina tem. A família desconfia que se trata de cancro da mama, mas ainda não há um diagnóstico preciso. Enquanto isso, as "voltas” nos hospitais por onde Eva passa, desde 2020, data em que os seios começaram a inflamar e gerar grande dor, sem causa aparente, continuam.

Com voz trémula e a tentar "engolir” o choro, Eva conta que no princípio não sentia nada, porque sempre teve os seios muito pequenos. Dentre as seis irmãs, as mamas dela eram as que menos chamavam a atenção.

Mas, com o agravar da situação, Eva deixou de estudar. Parou na 9ª classe, devido à vergonha de ser marginalizada. Apesar disso, ainda mantém vivo o desejo de voltar às aulas com urgência. Pretende, no futuro, ser contabilista e crescer profissionalmente, para poder ajudar os pais, que muito têm feito para a sua melhoria.

"Eu estudava, brincava e andava à vontade na rua, sem qualquer problema, porque era uma menina normal”, disse Eva. Porém, em Dezembro de 2019, os seios da adolescente começaram a crescer vertiginosamente. Até correr causava-lhe dores. Mas, a família não prestava atenção a isso. Inclusive, alguns familiares alegavam que, à medida que os seios cresciam, era normal meninas sentirem dor.

"Só em Janeiro de 2020, enquanto conversava com uma amiga, ela me observou e disse: ‘Eva, parece que os teus seios estão muito juntos, é diferente dos seios normais e está muito estranho’. Então saí rápido daí e fui falar com a minha mãe, que me observou bem e disse que iríamos ao hospital tão logo tivesse dinheiro”, explicou.

A ida aos hospitais não chegava. Os seios de Eva continuavam a crescer e a causar cada vez mais dor, situação que lhe criava desconforto e vergonha de ir à escola, na medida em que, tanto professores quanto colegas, diziam que estava grávida. Aliás, devido ao volume das mamas, que não combina com a sua pequena estatura corporal, passou a sofrer bullying.

De tanta angústia ao ver a dor da filha e a desistência desta das aulas, a mãe  levou-a ao Hospital Josina Machel, em Novembro de 2021, para se saber o que estava a acontecer com as mamas da menina, de 16 anos, na altura.

Já no Hospital Josina Machel, depois da marcação da primeira consulta, Eva teve de esperar por três meses para ser atendida por um especialista. Durante esse período em que aguardava pelo atendimento clínico, o problema agravou-se. As mamas não paravam de crescer e a dor continuava a atormentar a adolescente, a ponto de não conseguir manter-se em pé e, até, comer sozinha.

"Tornei-me uma bebé!”, disse, deixando cair as lágrimas que tentava travar desde o princípio da conversa. Respirou fundo, fez uma paragem e limpou as lágrimas com a blusa que vestia. Continuou, referindo apenas que ficava deitada e fazia tudo na cama, a ponto de voltar a usar fraldas e receber comida na boca. "A minha mãe deixou de vender para cuidar de mim e as minhas irmãs, praticamente, pararam as suas vidas para me apoiar”, lamentou.

Como o Hospital Josina Machel atrasava no atendimento e a família de Eva Lourenço não tem possibilidades para ir a uma clínica privada, foram ao programa "Fala Angola”, da TV Zimbo, que colocou no ar o drama que a adolescente vive desde finais de 2019.

"Os médicos disseram  que apliquei jarda”

Por conta do referido programa televisivo, os pais de Eva receberam a ligação do Hospital Josina Machel e a adolescente foi atendida, tendo ficado internada por 13 dias. Mas, apesar de vários exames, não se chegou a um diagnóstico preciso.

"Enquanto estava no hospital, alguns médicos me diziam que apliquei jarda e, por isso, estava a ter esse problema. Por causa disso, as enfermeiras falavam e me tratavam muito mal e, por vezes, não me davam a medicação a horas. Então, fugi do hospital, apanhei boleia e fui para casa”, disse.

Ao chegar a casa, os pais queriam levá-la de volta, mas a adolescente, assustada, também fugiu do seio familiar, tendo regressado no dia seguinte à residência dos progenitores. Eva conta que não queria voltar a ser maltratada pelas enfermeiras. "Foi então que, dias depois, me levaram ao Hospital Geral de Luanda, onde fiz outros exames”, contou.

No Hospital Geral de Luanda, o primeiro médico que atendeu Eva Lourenço disse que a menina tinha nódulos nos seios. Mas, depois de chamar outros colegas, estes disseram que não era isso e encaminharam a paciente para o Centro Nacional de Oncologia, para melhor diagnóstico.

Infelizmente, desde o mês de Março, altura em que Eva Lourenço fez a primeira consulta no Centro de Oncologia, onde especialistas disseram que ligavam para avisar da próxima consulta, a família aguarda pela ligação da unidade oncológica para saber o que a menina tem, de facto, e começar o tratamento o quanto antes.

Sem cuidado médico algum, os seios da adolescente cresceram muito, ficaram duros, situação que causava febres altas e dores cada vez mais insuportáveis. Eva chegou a desejar a própria morte.

"Eu disse aos meus pais que queria morrer, porque ninguém me diz o que está a acontecer comigo. Nunca ninguém na minha família sofreu disso, porquê que tem de acontecer comigo? Eu quero continuar a estudar e não consigo. Porquê esse sofrimento?”, questionou Eva, em prantos.

Esses questionamentos, durante alguns minutos, provocaram um silêncio na sala onde decorria a entrevista. O drama contado por Eva, na primeira pessoa, quebra a força da jornalista em continuar a fazer perguntas, como se essas não mais existissem! É nessa altura em que as lágrimas de Eva emocionaram o pai da adolescente, que a acompanhava. A repórter e o fotógrafo não resistiram, mas para dar uma de profissionais disfarçaram o momento de emoção com o uso das máscaras.

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