Funcionários das morgues sem salário há anos lavam cadáveres para comer
Responsáveis pelo funcionamento das morgues da capital dependem dos biscates de lavagem de cadáver para sobreviver, porque estão há décadas a prestar serviços sem qualquer contrato.

As morgues públicas de Luanda funcionam maioritariamente com técnicos sem qualquer vínculo de contrato formal, situação que obriga a que as dezenas de técnicos responsáveis pelo asseguramento das casas mortuárias estatais sobrevivam à base do negócio de lavagem de cadáver, apurou o Novo Jornal.

Segundo informações avançadas a este semanário, até há pelo menos uma década, nas Morgues de Cacuaco e do Camama, por exemplo, a remuneração dos também conhecidos como «morgueiros» era responsabilidade das respectivas administrações municipais. Contudo, explicam os próprios técnicos ao NJ, não havia propriamente um contrato formal, uma vez que os referidos trabalhadores não estavam inseridos na dita folha salarial do Estado, o que obrigou a que, com o tempo, entra administrador, sai administrador, as torneiras viessem a ficar definitivamente fechadas.

Chega aos 45 o número de funcionários, se somados os da Morgue Central aos da Morgue do Camama. Deste lote, apurou o NJ, apenas os dois directores e mais três «morgueiros» fazem parte do quadro efectivo do Governo da Província de Luanda (GPL). Os demais empregados trabalham na condição de funcionários eventuais, desprovidos de qualquer vínculo contratual com a entidade empregadora.

No caso da Morgue do Camama, o drama dos trabalhadores começou em 2011, quando surgiu o município de Belas, localidade a que o distrito do Camama passou a pertencer, deixando de integrar o Kilamba-Kiaxi. Com a nova divisão administrativa, homens como Afonso Paxe deixaram de sentir o cheiro dos 16 mil kwanzas mensais dados como salário.

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