Kwanza vai perder valor relevante face ao dólar


Kwanza ficará mais desvalorizado nos próximos meses.

Esta desvalorização da moeda nacional vai contribuir para aumentar a dificuldades das famílias angolanas sempre que pretenderem adquirir bens importados, o que é uma inevitabilidade devido à ainda importante dependência das importações no sector da alimentação.

De acordo com a NKC African Economics, uma filial da britânica Oxford Economics, até ao final de 2021, por cada dólar norte-americano vai ser preciso, pagar 666 kwanzas, contra os actuais 617, segundo o câmbio oficial do Banco Nacional de Angola (BNA).

Esta consultora, uma das mais importantes em África no fornecimento de informação e previsões económicas, sublinha em comentário sobre a evolução dos preços em Angola, citada pela Lusa, que esta perda de valor do Kwanza é um reflexo da valorização do petróleo.

Por detrás deste pessimismo da NKC African Economics para os próximos meses para a moeda nacional está ainda o efeito da seca no sul do País e o escasso volume de pesca actual, que conduziram a um aumento da inflação e o consequente aumento dos preços.

Estas previsões da filial africana da Oxford Economics contrastam com os objectivos estabelecidos pelo Executivo angolano depois de anunciado um período excepcional de suspensão do pagamento de direitos aduaneiros sobre os produtos importados que integram a cesta básica nacional.

A decisão do Conselho de Ministros de 02 de Setembro pode, se estas previsões da NKC African Economics se confirmarem, cair em saco roto, ou, pelo menos, ter um impacto menos substancial que o antecipado pelo Governo.

O Conselho de Ministros aprovou na sua última reunião, dirigida pelo Presidente João Lourenço, um decreto legislativo que suspende temporariamente o pagamento de direitos aduaneiros referentes aos produtos da cesta básica como forma de "atacar" os valores elevados que estes têm atingido nos mercados nacionais sob fortes críticas dos consumidores mais pobres.

No documento, o Executivo aponta como uma das razões para o crescente custo dos produtos da cesta básica, que abrange os bens alimentares que sustentam a maioria dos angolanos, os efeitos da pandemia da Covid-19 que, por sua vez, resultou no aumento dos fretes internacionais para o transporte de mercadorias, especialmente aquelas que estão na lista dos produtos da cesta básica.

Esta medida, que o Governo diz que vai ter efeito imediato sobre os preços de produtos como a carne de porco, frango, grão de milho, óleo alimentar, entre outros, entrou em vigor no dia seguinte e foi anunciada como sendo um forte contributo para o equilíbrio dos preços fortemente afectados pela dificuldade em compensar com produção nacional uma parte dos bens importados.

Esta medida, que em carácter circunstancial, embora sem data para ser levantada, surge num contexto social de crítica popular face ao elevado custo dos bens que estão na base da alimentação das famílias angolanas, desde logo as farinhas e o arroz, ou ainda o frango, peixe e óleo alimentar ou ainda o açúcar, entre outros...

Como o Novo Jornal apurou numa ronda pelos mercados do 30 e dos Kwanzas, os efeitos esperados pelo Executivo ainda não se sentem em produtos essenciais como a carne de frango, o peixe, o óleo ou ainda as farinhas...

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