Baixa de Kassanje celebra 56 anos, populares pedem maior atenção
O acto central decorre no município do Quela, província de Malanje e é presidido pelo Ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Cândido Pereira Van-Dúnem. Este ano o aniversário da baixa de Kassanje tem como lema: “Firmes e unidos, engajemo-nos no processo de diversificação da economia”.

A revolta da Baixa de Kassanje é considerada a primeira batalha que impulsionou a Guerra contra o colono português para a Independência de Angola.

A revolta começou a 3 de Janeiro de 1961 na região da Baixa de Kassanje, distrito de Malanje, quando os trabalhadores da empresa agrícola Cotonang (uma empresa de plantação de algodão portuguesa e belga), fizeram um protesto para forçar a empresa a melhorar as suas condições de trabalho. A manifestação foi conduzida por dois angolanos anteriormente desconhecidos, António Mariano e Kulu-Xingu.

Durante o protesto, os trabalhadores angolanos queimaram seus cartões de identificação e foram atacados pelos comerciantes portugueses nas instalações da empresa. O protesto estendeu-se até 4 de Janeiro, as autoridades portuguesas tinham suprimido com sucesso a revolta com um ataque aéreo contra vinte aldeias da região, matando um grande número de aldeões angolanos.

Passados 56 anos, a data é comemorada hoje a nível nacional e os povos da região da Baixa de Kassanje reclamam um estatuto especial para a região e pedem o regresso do Dia dos Mártires da Repressão Colonial da Baixa de Kassanje na lista dos feriados nacionais, apelando que a data deve ser mais comemorada por ser histórica.

"Uma vez que foi o dia em que despertou-se a consciência patriótica e a unidade dos angolanos em prol da liberdade,” disse o considerado actual rei da Baixa de Kassanje, Cambamba Ngingi -Kulaxingo, que fez saber também que, em cada região do país se registaram revoltas contra a repressão colonial em solidariedade aos camponeses da Baixa de Kassanje, causando assim a morte de muita gente que não se encontravam na em Kassanje.

“A população da Baixa de Kassanje, nas províncias de Malanje e da Lunda Norte, tem esperança na melhoria das suas condições de vida, apesar das dificuldades que enfrenta, como as grandes quantidades de produtos do campo na posse dos camponeses sem serem escoados para as cidades por falta de meios de transporte”, afirmou o rei Cambamba Kulaxingo. Acrescentando que “a produção do campo tem de ser escoada para não haver perdas enormes e preciso que se incremente a reabilitação das vias de comunicação em todos municípios e aldeias, porque, quando chega o tempo chuvoso, existem muitas dificuldades na deslocação”, realçou o rei.

Texte de Mateus / Fonte: JA

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