Manuel Vicente: «O intocável»
Mais uma vez o antigo vice-presidente é citado por alegados envolvimentos a corrupção e protecção do actual presidente de Angola, Joao Lourenço.

P U B L I C I D A D E

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Durante a entrevista, em Londres Isabel dos Santos mostrou documentos que diz serem provas de contratos que envolvem o Presidente de Angola, João Lourenço, e o antigo vice-presidente do país, Manuel Vicente, que foi também presidente do conselho de administração da Sonangol, com o objectivo de elaborar o que diz ser uma “campanha contratada” contra a empresária, através de entidades de lobbying dos EUA, com o que diz ser “sub-contratos” que passam também por Malta e Portugal.

Em 2018, o jornal Sábado trouxe uma reportagem ilustrando como os poderosos de Angola esconderam milhões de euros em Portugal.

Manuel Vicente como em todas outras investigações sobre corrupção em Angola, lidera a quadrilha.

Segundo o jornal, Manuel Vicente tinha um património nunca inferior a 75 milhões de euros. Os generais Kopelipa e Leopoldino Nascimento possuíam ainda mais. Uma parte de todo este dinheiro circulou em Portugal através de bancos e negócios cruzados com familiares e testas-de-ferro.

Quando se esperava que este, Manuel Vicente, estivesse finalmente na mira da justiça, uma vez que Portugal entregava de bandeja provas sobre corrupção activa do ex-presidente de Angola.

Descia uma luz do palácio da Cidade Alta que levava um irritante ao processo. O actual Presidente da República lutava ‘com todas as suas forças para salvar’, como se dizia no linguajar dos angolanos, o “nosso gatuno”.

E tem mais, MV, para além da imunidade que ainda o protege, foi acomodado na Assembleia Nacional, é deputado do povo…

Ainda assim, não satisfeito com todas as “honras” e mordomias disponibilizadas ao antigo homem-forte da Sonangol, João Manuel Gonçalves Lourenço chamou Vicente para ser o seu assessor de petróleo e gás. Com certeza com alguma remuneração, que é associada a que recebe enquanto ex-presidente e como deputado. Uma posição de defesa, que deixa o poder judicial de mãos atadas.

O processo aberto em Portugal contra o antigo vice-Presidente angolano, Manuel Vicente, e enviado em Maio de 2018 à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola para ouvir o agora deputado do MPLA, continua em banho-maria.

Nem água vem, nem água vai. Em corredores palacianos, diz-se em boca pequena que o sobrinho por afinidade de José Eduardo dos Santos, que é qualificado como o homem mais rico de Angola, para garantir a sua liberdade, entregou ao actual Executivo todo o esquema de corrupção que imperava na governação de JES, onde, sublinhem, boa parte dos governantes que estão no actual governo endeusavam o antigo líder dos camaradas.

“O seu papel como conselheiro presidencial dá-lhe uma influência política inigualável sem qualquer responsabilização, enquanto a sua família e os seus associados se preparam para beneficiar com a venda de lucrativos activos angolanos nos próximos anos”, lê-se num documento da consultora EXX Africa.

O relatório da consultora pormenoriza as ligações entre Manuel Vicente e os seus apoiantes, e acusa-o de liderar uma influente rede de tráfico de influências, quer junto do actual Presidente, quer junto do antigo chefe de Estado.

Fonte: NRMC

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