Higino Carneiro admite que documentos pertencem às FAA
O deputado Higino Carneiro foi ouvido hoje como testemunha de defesa no caso do general “Zé Maria”.

A sétima sessão do julgamento mais falado do país ficou marcada com o depoimento do antigo ministro das obras públicas, Higino Carneiro, que afirmou que quando pediu os documentos para fazer uma apresentação aos deputados do MPLA, sobre a batalha do Cuito Cuanavale, o antigo presidente, José Eduardo Dos Santos, disse que sim, mas proibiu que se reproduzissem os documentos sem a sua aprovação.

Quando questionado pelo juiz adjunto do Supremo Tribunal Militar (STM), tenente-general Carlos Vicente, por que razão é que pediu autorização a JES, mesmo sabendo que os documentos pertenciam as FAA, e cabia ao comandante em chefe das Forças Armadas, João Lourenço.

“Na data dos factos, quando solicitei ao ex-presidente José Eduardo dos Santos para que o general ilustrasse aos deputados da bancada parlamentar do MPLA factos sobre a batalha do Cuíto Cuanavale, eu era vice-presidente da Assembleia Nacional e José Eduardo era presidente do partido, por isso não falei com João Lourenço, embora ele já fosse Presidente da república”

Higino Carneiro também confirmou que os documentos pertencem às FAA.

“Se os documentos pertencem às FAA, o camarada Higino Carneiro, na qualidade de general, tem a noção de que João Lourenço é o comandante em chefe das FAA, porque pediu autorização a José Eduardo, se ele era presidente de um partido político?”, reiterou o juiz Carlos Vicente.

“As FAA não é o MPLA, as forças armadas angolanas não têm nada a ver com o partido, quem deve dar ordens nas FAA não é o presidente de nenhum partido”, continuou o juiz.

Durante as palavras fervorosas do juiz, o advogado do general Zé Maria contestou o magistrado por direccionar estas palavras à testemunha, mas o juiz presidente do STM recusou, e disse ao advogado que em outras sessões, terá tempo para protestar. Devido à discussão o presidente do Supremo Tribunal Militar, encerrou a sessão de hoje, com a garantia de que amanha o tribunal irá continuar com as alegações.

NJ

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