Augusto Tomás está a ser julgado por «desmantelar redes de mafiosos»
O antigo ministro dos Transportes, Augusto Tomás, que começou a ser interrogado esta terça-feira, 4, pelo Tribunal Supremo (TS), disse, durante a sessão de julgamento, que foi detido sem saber porquê e que só está a ser julgado por ter desmantelado redes de mafiosos no Aeroporto e no Porto de Luanda.

"As pessoas aqui apanhavam os aviões e saiam do País sem respeitar as regras e eu pus fim a isso. Foi necessário tomar medidas bastantes duras, e é lógico, deixei cair 12 companhias aéreas de ministros e generais", disse Augusto Tomás, acrescentando que está a ser julgado por existirem outros contornos devido às suas decisões enquanto titular de um cargo no aparelho do Estado.

"Foi necessário também, nessa altura, tomar medidas para reverter as situações anormais que havia no Aeroporto de Luanda e impedir que algumas pessoas fossem com as suas viaturas até aos aviões", disse

"Havia um congestionamento portuário de cerca de 90 navios encalhados no porto de Luanda, com despesas diárias de 25 mil dólares, despesas essas avaliadas em mais de 2,5 mil milhões dólares anuais, dinheiro que não se revertia para a população", disse.

O também deputado do MPLA, cujo mantado se encontra suspenso. Augusto Tomás disse ainda que foi necessário desmantelar "essa rede de mafiosos que era dirigida pela máfia internacional".

"Foi necessário irmos a Bruxelas, negociar com a União Europeia, com o Estado norte-americano, a China e a União Africana para tentarmos evitar que o Aeroporto de Luanda fosse para a lista negra, o que inviabilizava a aviação civil em Angola", salienta. 

Segundo o antigo ministro dos transportes, agora réu, nesse período também fechou 17 entradas com betão no Aeroporto de Luanda, para impedir a circulação de viaturas dessas pessoas, cujos nomes não revelou.

Fonte: Angonoticias

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