Horário de transmissão da Covid-19


O nosso país vive, desde Março do corrente ano, uma fase nunca antes vivida, e, em nenhum momento pensada, devido a pandamia da Covid-19. Declaramos, pela primeira vez na história, o Estado de Emergência, que teve seu início no dia 27 de Março de 2020 e depois passou, mais, especificamente, no dia 26 de Maio para Estado de Calamidade.

O período de calamidade permitiu um alívio, pois se assim não fosse, surgiriam muitos problemas na economia, uma vez que as empresas estavam fechadas, e, estando elas fechadas, poderiam produzir pouco. Pouca produção, pouco lucro, sem lucros, não há impostos, e sem impostos o país fica financeiramente fragilizado.

O Estado de Calamidade previa o gradual regresso da vida à normalidade. Facto que não aconteceu devido ao aumento substancial de casos positivos do novo Coronavírus, fazendo com que o Executivo recuasse em algumas decisões e suspendesse algumas actividades ora abertas.

Das novas medidas implementadas pelo Estado, com o objectivo de parar a propagação do vírus, destacamos as seguintes:

  • 1 - O uso obrigatório da máscara facial na via pública, estabelecimentos comerciais e similares. Sendo multado aquele que não cumprir com essa regra.
  • 2 -  Estabelecimentos comerciais, incluindo as cantinas e similares com horário de funcionamento limitado até as 4h da tarde.
  • 3 - Transportes públicos limitados a circular até 8h da noite, agora.
  • 4 - Funcionamento de mercados e venda ambulante em dias específicos.

Olhando para os pontos acima, remeto a seguinte reflexão:

Serão estas as medidas mais adequadas para reduzir a propagação do novo Coronavirus?...

As medidas, a meu ver, não são tão acertadas, uma vez que, embora se queira proteger o bem maior, vida, existem alguns factores que devem ser olhados numa perspectiva lógica, vejamos: Com dias e horários específicos para o funcionamento dos estabelecimentos comerciais, espera-se que haja uma redução significativa na circulação de pessoas, na verdade, o efeito tem sido inverso, uma vez que se verifica, diariamente, um aglomerado de pessoas nos estabelecimentos comerciais, via pública e paragens de transportes públicos.

Este efeito justifica-se por razões baseadas no facto das pessoas serem forçadas a fazer, as mesmas coisas, ao mesmo tempo.

Reparemos, muitas pessoas saem, nos dias destinados, às compras, e uma vez que não há, por parte das Forças de Defesa e Segurança, um controle da população, verifica-se o incumprimento do distanciamento social, pois todos ficam apressados em fazer as suas compras, visto que há um limite de tempo para fazê-las. Assim, vemos, como resultado, um amontoado de pessoas, num contexto em que não se sabe quem está infectado, eleva-se o risco de propagação, devido à facilidade de transmissão do novo Coronavírus.

Com a redução da capacidade de lotação dos transportes públicos e o horário de circulação destes, todos os dias, esquecemo-nos de ver que nos dias de abertura dos estabelecimentos comerciais há maior fluxo de pessoas, e acabamos por ver paragens cheias, trajectos curtos e em muitos casos, violação ao limite da lotação recomendada, porque as pessoas pensam em chegar cedo a casa, sendo que, há, até um horário de circulação estabelecido, porque quem não cumprir está sujeito ao pagamento de uma multa.

Olhando, principalmente, para as medidas apresentadas, dá-nos entender, às vezes, que não se apanha Covid-19 aos domingos, segundas, quartas e sextas-feiras, em horários específicos, uma vez que as medidas pretendem ter como resultado pouca circulação de pessoas em determinados dias e horários.

Em gesto de conclusão, aconselhamos as pessoas competentes a rever algumas medidas deste Estado de Calamidade, por contribuírem, significativamente, para o aglumerado de pessoas que vemos, diariamente, na via pública e estabelecimentos comerciais, uma vez que há um paradoxo entre elas, porque até parece um Estado de Emergência “camuflado”, pois se olharmos para estas medidas, são quase as mesmas, apenas menos reflectidas.

‌No papel de comunicólogo, apresento este texto como uma contribuição no combate à pandemia, recomendando, assim, que não haja um alívio focado apenas na situação económica das populações, mas sim no seu bem-estar, e que haja maior sensibilização das populações sobre os riscos da doença e as medidas de prevenção.

Texto de Valdir Paulo - Licenciado em Língua Portuguesa e Comunicação

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