Vagas escolares comercializadas a mais de 100 mil kzs
A corrupção que graça o sistema nacional de ensino voltou a colocar centenas de adolescentes e jovens fora do ensino médio em Angola, principalmente em Luanda, a capital do País, cujas vagas são sempre insuficientes comparadas ao número de alunos que transitam de ano.

P U B L I C I D A D E

P U B L I C I D A D E

A corrupção que continua a ser o porta-bandeira da governação do Presidente João Lourenço e, tal como ele próprio disse em vários discursos, durante e depois da campanha eleitoral, “iria ficar salgada”, parece ter mudado de figura e continua bem patente na vida nacional, “principalmente, nas escolas”.

A venda de vagas para o ensino médio nos mais variados institutos médios em Luanda, segundo apurou o Na Mira do Crime, foi um dos motivos pelos quais, muitos pais e encarregados de educação viram-se privados de conseguir uma vaga para os seus educandos.

“Não se percebe como é que, em pleno século XXI, os professores ainda têm direito a uma vaga e os coordenadores de turno a duas vagas. E estas vagas normalmente são vendidas cada qual ao seu preço, já que cada professor tem a sua necessidade e não há quem regule tais preços”, começou por denunciar Isabel Bernardo, uma encarregada que teve de recorrer a um professor que tinha uma vaga pessoal no Instituto Médio de Educação de Luanda (IMEL) para poder matricular a filha.

Neste sentido, acrescentou, a sua filha já está apta para ser admitida mesmo que as suas notas não vão de encontro com os requisitos exigidos naquele instituto médio.

“Sabemos que as pessoas que pagam aos professores para terem direito a uma vaga e aquelas que, eventualmente, beneficiam — também pagando — as vagas dos professores os seus filhos entram directamente caso contrários terão de devolver os valores cobrados para tais operações”, salienta Mateus Joaquim que ainda luta por uma vaga no Instituto Médio de Saúde (IMS).

“Fiz a matrícula do meu filho, mas, infelizmente, não consegui a vaga. Para não perder o ano lectivo, a solução vai ser recorrer mesmo a um professor que, eventualmente ainda não tenha vendido a sua vaga, para ver se consigo colocar o rapaz a estudar”, explicou garantindo que numa altura que as vagas já são limitadas não vê com bons olhos essa questão dos professores beneficiarem de vagas que são gratuitas para a comercialização.

“Deste modo, a tendência vai ser reprovar um número considerável de alunos para depois estes pais e encarregados de educação recorrerem aos seus esquemas”, queixou-se, solicitando uma auditoria aos alunos recém matriculados no sentido de se apurar se todos, efectivamente, têm as médias solicitadas pelos referidos institutos.


Numa altura que a situação económica e social das famílias angolanas degrada-se dia após dia, os professores do ensino médio parece não se importarem com a carência de vida dos angolanos.

A título de exemplo, numa ronda efectuada por este Portal, em alguns institutos médios de Luanda, o preço de uma vaga começa nos 100 aos 130 mil kwanzas com direito a desconto.

“No IMEL e no IMS a vaga estão a cobrar 100 mil kwanzas e dependendo do professor pode fazer um pequeno desconto de 10 ou 15 mil kwanzas”, denunciaram alguns encarregados.

Por outro lado, garantiram outros, uma vaga no Instituto Médio Industrial de Luanda (IMIL) e no Instituto de Telecomunicações de Luanda (ITEL) a vaga nos esquemas custam 130 a 120 mil kwanzas. “São valores muito altos se olharmos para a situação por que passam muitas famílias”, denunciaram sob anonimato outros pais e

encarregados de educação, alguns deles garantem terem passado a quadra festiva em branco, ou seja, sem nada, por causa da crise.

“A vida está cada dia mais difícil e as pessoas não têm esses valores para pagar. Alguns podem ter, mas a maioria está a penar para conseguir ao menos o que comer”, garantiram, apelando alguma sensibilidade as entidades de direito no sentido de se inverter o actual quadro social e económico das famílias.

De recordar que a dificuldade criada pelo Ministério da Educação, com a colocação de um novo modelo nacional ou provinciais de certificados, durante o período de inscrição dos alunos facilitou os casos de corrupção, na medida em que, o prazo que se estendeu para a recepção dos documentos e inscrição foi insuficiente para atender a demanda.

Como resultado, mesmo os alunos com boas notas, muitos deles não conseguiram fazer a inscrição e viram os seus nomes fora das listas das poucas vagas existentes nestes institutos, ficando apenas com a solução de recorrerem aos ‘cambalachos’ para conseguirem uma vaga.

“Isso é uma corrupção institucionalizada na medida em que, quem pagou um preço para o primeiro modelo de certificado, depois teve de acrescentar mais dois ou três mil kwanzas para receber o modelo actual”, concluíram os encarregados de educação.

Fonte: NMRC

REAÇÕES

COMENTÁRIOS