Trabalhadores da empresa mineira de Buco-Zau queixam-se de exploração por parte da entidade


São ameaçados quando reivindicam.

Sob anonimato, com e medo de represálias, os trabalhadores contaram que não têm direito a folgas e que são obrigados a trabalhar de domingo a domingo.

"Pertencemos a uma empresa privada denominada Mineração de Buco-Zau, cuja empreiteira é brasileira, que está a explorar ouro e, como se não bastasse, a explorar-nos também. Não temos tempo de usufruir do pouco salário que recebemos, porque não nos deixam sair para ir ao encontro da nossas famílias e se sairmos sofremos represálias, somos despedidos. Não temos liberdade de expressão, e se tentarmos reclamar somos ameaçados de expulsão", denunciam os visados.

Segundo os mesmos, os patrões não permitem que os funcionários se ausentem da mina de ouro, sob pena de não serem mais autorizados a entrar.

Os visados contam também que os ordenados são pagos via bancos e que não têm sequer tempo para irem fazer o levantamento do dinheiro para enviarem para as suas famílias porque não lhes é permitido ter folgas ou ausentar-se da mina.

"Somos, na maioria, do município sede de Cabinda (Tchiowa), e não temos tempo de usufruir do nosso salário que muito lutamos para conseguir. Não nos deixam sair da mina e quem sai já não pode regressar, trabalhamos como escravos na nossa própria terra".

Questionados se tem sido esse o critério nas outras minas, os visados responderam negativamente.

"Na Mina do Lufo não é assim. Lá as regras são muitos diferentes das nossas e os colegas não se queixam de exploração e têm tempo para sair e gozam folgas", disseram, apelando às entidades de direito para intervirem.

"Pedimos encarecidamente que haja fiscalização na nossa companhia. Tendo em conta o regime do nosso trabalho", lamentaram.

Os funcionários da Mineração de Buco-Zau queixaram-se também de serem, praticamente, proibidos de adoecer.

"Se ficamos doentes, praticamente perdemos o emprego. Porque para os chefes adoecer é proibido aqui", disseram.

Os projeto mineiro de Buco-Zau, situado na província de Cabinda, obteve as licenças de prospeção e exploração de ouro dentro da área protegida transfronteiriça da Floresta de Mayombe em 2019. Em Dezembro de 2021, Buco-Zau tornou-se o primeiro exportador de ouro produzido em Angola desde a década de 1970.

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