Sindicatos afastam riscos de desemprego para trabalhadores de Isabel dos Santos


Os sindicatos estão a acompanhar o caso, que envolve uma das maiores empregadoras em Angola, mas afastam para já qualquer impacto sobre os postos de trabalho das empresas visadas: banco BIC, Unitel (telecomunicações), banco BFA, Finstar, Sociedade de Investimentos e Participações, ZAP Media (operadora de televisão), Cimangola II (cimenteira), Condis (empresa de distribuição que detém a marca de hipermercados Candando), Continente Angola e Sodiba (indústria de bebidas).

P U B L I C I D A D E

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“O tribunal acautelou a questão dos empregos” e indicou como fiéis depositários os próprios conselhos de administração e o Banco Nacional de Angola, o que significa “que não são previsíveis perturbações” no funcionamento das empresas, disse à Lusa o secretário-geral da União Nacional de Trabalhadores Angolanos (UNTA), uma das três centrais sindicais angolanas. 

Francisco Jacinto, secretário-geral da Central Geral de Sindicatos Independentes Livres de Angola (CGSILA), concorda: “O arresto é provisório, estamos a espera para ver quando é que avançará a acção principal e qual o desfecho que terá, mas o governo deu garantias de que efectivamente não haverá nenhuma alteração na relação jurídica laboral e as empresas não serão afectadas”

Duvida por isso que se confirmem as previsões de Isabel dos Santos que se lamentou, em declarações ao Jornal de Negócios, de as suas empresas estarem a ser condenadas à morte: “O estado não poderia cometer um erro desses, o arresto não pode significar a paralisação ou qualquer outra coisa que venha a afectar os trabalhadores.

Para Francisco Jacinto, as declarações de Isabel dos Santos enquadram-se num “discurso de desespero”, não só porque a maior parte das empresas visadas na decisão judicial tem outros accionistas, mas também porque se o Estado angolano se tornasse accionista “daria todas as garantias” para que as empresas continuassem a funcionar.

E criticou a “má-fé” da filha de José Eduardo dos Santos.

Aqui em Angola surgiram empresários da noite para o dia, as pessoas tornaram-se ricas, tornaram-se milionárias sem nada fazer. Mas o facto de criarem empresas e beneficiarem parte dos angolanos com estes empregos”, não significa que não tenham sido criadas “à custa do sacrifício dos angolanos”, vincou, defendendo que “as empresas de Isabel dos Santos podem funcionar sem ela”.

Também Manuel Viage pensa que há “exagero” da parte da empresária.

Acho que o Estado angolano está muito preocupado com a taxa de desemprego, sobretudo entre os mais jovens. Qualquer medida que se tome e que toque o emprego, além dos problemas que já decorrem da crise económica não seria boa política. Toda política que crie problemas sociais não seria boa”, sublinhou o dirigente da UNTA.

Manuel Viage lembrou ainda que o afastamento de Isabel dos Santos não está ligado à gestão, já que a responsabilidade das empresas foi atribuída aos próprios conselhos de administração e, pelo menos, enquanto durar a previdência cautelar, não deverá haver substituições, a não ser que alguém se demita.

“Isabel dos Santos não é integrante de qualquer conselho de administração, ela contrata equipas profissionais para dirigir as empresas onde tem participações, mas não dirige as empresas pessoalmente”, afirmou.

Para já, nenhum trabalhador contactou o sindicato para expressar preocupações sobre esta questão, mas Manuel Viage garantiu que a UNTA está atenta e irá protestar caso ocorram situações que comprometam a viabilidade das empresas, situações de desemprego ou até de menor satisfação dos trabalhadores no desempenho das suas actividades nessas empresas.

“Temos de esperar que as coisas evoluam para perceber se os trabalhadores sentem alguma diferença entre o antes e o depois”, disse, admitindo que estas empresas “empregam muita gente” e praticam “salários ligeiramente melhores” do que outras do sector privado.

LUSA

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