"O presidente João Lourenço se tiver que levar avante tudo aquilo que ele defende estará a se auto-destruir"


Deputado da UNITA, Nelito Ekuikui, falou da problemática de Angola, o partido em que milita e alguns assuntos pertinentes da sociedade angolana.

A primeira pergunta é pertinente, como jovem numa fase em que o desemprego atinge números estratosféricos, e pertencente ao maior partido da oposição, que plataformas é que seu partido tem usado para tentar colmatar essa situação?

Quem esta na oposição não consegue resolver o problema do desemprego, como sabe quem esta na oposição do ponto de vista normativo pertence a um órgão que fiscaliza e cria normas jurídicas, tem outra função que aprovar o Orçamento Geral do Estado naturalmente, e o que nós temos feito enquanto deputados na oposição é influenciar o executivo no sentido de aprovar um orçamento capaz de gerar desenvolvimento. 

Termos concrectos o que isso Significa?

Significa se nós tivermos um sector produtivo devidamente contemplado no OGE, consegues efectivamente fazer face a este problema, mas isso por um lado, o problema do desemprego não se resolve no plano interno apenas, significa que é preciso estabilizar a política macroeconómica, porque atracão de investimento externo para Angola este sim pode dar resposta ao desemprego e impulsionar os pequenos empresários, enquanto a nossa economia estiver estagnada, eu não estou como resolver este problema com efectividade.

Nestes dois anos de presidência de João Lourenço o que tem a dizer sobre às políticas económicas até agora implementadas?

O presidente João Lourenço estabeleceu um contrato de compromisso com os angolanos, e se nós formos consultar o seu plano de governação, ele comprometeu-se; a estabilizar a política macroeconómica, a reduzir a taxa de inflação e diversificar a economia. 

Teve algum êxito? 

Volvidos dois anos que são 24 meses, não há sinais, dito de outra forma, não conseguimos ver uma economia a se estabilizar, pelo contrário, nós temos uma economia cada vez mais inflacionada, uma economia cada vez mais para baixo. 

No seu ponto de vista, onde foi que  presidente João Lourenço fracassou ou tem fracassado? 

Em outros países o fracasso do sector da economia deve-se ao ministro das finanças, portanto o ministro das finanças é o dono da economia de um país, nós tivemos um ministro que foi exonerado agora, subiu agora uma ministra que era secretaria do estado, a questão que se coloca é; como secretaria do estado não conseguiu ajudar o ex-ministro a estabilizar, a criar um clima económico para todos os angolanos, e como ministra irá conseguir? 

É aí onde está o fracasso? 

Não será que a nossa equipe económica precisa ser reformulada, e o critério da nomeação não deve ser o critério político, mas sim o critério da competência para tentar colmatar este défice. Outrossim, será que Angola conseguiu já fazer face a todas as exigências da comunidade internacional, como sabe nós temos problemas no nosso sector económico, temos problemas porque há cédulas que foram em países que não deviam parar, os americanos cortaram os dólares, enfim, temos problemas com divisas. 

Este problema está resolvido? O presidente tem que explicar aos angolanos porque é um dos factores que tem estado a retrair a nossa economia.

Redacção

Então sente que de algum jeito as pessoas que funcionam com João Lourenço fragilizam o seu plano político?

Com certeza, tu não podes ousar ser reformista quando tens rostos antigos, portanto tu vens como equipa que não representa a reforma que tu ousas fazer. O presidente João Lourenço herdou a equipe do presidente José Eduardo, ele não pode ousar falar de reforma quando não conseguiu fazer reforma no seu executivo, o que ele tem estado a fazer é troca de cadeiras.

Sai o ministro das finanças vai para o Namibe, portanto é só troca de cadeira, assim como José Eduardo já o fez. É fundamental a troca completa da equipe económica. 

É urgente porque o presidente João Lourenço só tem mais 36 meses para cumprir com as promessas eleitorais.

Mas isso não parece um pequeno receio do presidente em perder a confiança do MPLA?

Mas o quê que interessa afinal, a confiança do povo ou a confiança dos militantes, dos militantes entre aspas, porque os militantes do MPLA também sofrem, aqueles que votam para o MPLA também estão aqui nos musseques, estão a ressentir a crise, portanto o que interessa tu satisfazeres um pequeno grupo do comité central ou do BP e decepcionar o povo.

Voltando um bocado para o seu partido, diz-se que esse "jogo" do actual presidente Isaías Samakuva, trouxe uma fragilidade e uma certa desconfiança do povo?

É assim o presidente Samakuva, afirmou aos angolanos que iria retirar-se da presidência da UNITA em 2016, depois das eleições, ele tinha um mandato a cumprir, que termina agora em 2019, a comissão política reuniu e pediu para que ele ficasse, e por acaso faço parte dos militantes que o pediram para ficar, terminado o seu mandato é altura de partir, portanto, não vejo hesitação nenhuma nisso. 

Mas o que houve de concrecto? 

O que se especulou é as pessoas queriam que ele voltasse a afirmar constantemente que ele não iria se candidatar, mas para quem conhece e convive sabia que ele não iria concorrer. 

Eu tive a oportunidade de dizer em alguns órgãos de comunicação que o presidente Samakuva iria cumprir a sua promessa, todos sabiam que ele não tinha como continuar, porque ele tinha feito um pronunciamento publico. 

A sua saída poderá causar algum desconforto a UNITA? 

Agora a UNITA não é a presidência, o que faz a UNITA são os seus órgãos de base, e os órgãos de base da UNITA são coesos, há dinamismo, por tanto a UNITA não perde credibilidade no povo por causa de um congresso. O que a UNITA precisa fazer é ouvir, tem de ser um partido atento as mudanças actuais do contexto político, a geopolítica mudou tem actores novos e a UNITA não pode ficar aquém disto.

Há uma manifestação marcada para Sexta-feira, que na qual muitos dos cantores do regime de José Eduardo dos Santos decidiram aderir, e isto tem causado uma grande confusão, tem alguma opinião?

Eu fico preocupado com extremismo de algumas pessoas, há pessoas que acham que são donos das manifestações, das reivindicações, são os legítimos, mas a cada etapa de luta existe um pensamento adequado, significa que cada transformação que a sociedade vai sofrer ela produz novos actores e requer de cada um de nós uma nova interpretação. 

Eu não sou deste fanatismo de dizer que os cantores ontem não falaram nada, no tempo do presidente José Eduardo, hoje querem falar e não podem falar. 

Ninguém pode se arrogar dono deste país. Depois da liberdade alguém tem de falar, então conquistou-se a liberdade e queres que os outros continuem no silêncio, faz sentido? Se eles ontem não podiam falar é porque tinham medo, e eles deviam ficar satisfeitos, invés de reclamar paternidade, busca de protagonismo desnecessária, ego desnecessário, e é isso que retarda a luta de Angola, o ego a falta de unidade.

Para terminar já, disse num programa que não acredita muito na luta do presidente João Lourenço, sente que dar um tiro no pé, porquê?

O presidente João Lourenço se tiver que levar avante tudo aquilo que ele defende estará a se auto-destruir, portanto, acho que não vai a tempo. 

Agora o presidente João Lourenço tem 36 meses pela frente e ele ainda tem a oportunidade de ser um presidente dos angolanos, isto significa mudar a vida daquele cidadão, onde não há agua nem luz. 

O Presidente governa para os pobres, tem que governar, tem de mudar a condição social daqueles que mais sofrem, dos excluídos e o presidente ainda não tem estado a fazer isso. 

Fim do mandato será mais um presidente cuja fotografia estará na galeria e ser apenas mais um. Mas não deveria ser mais um, deveria ser um presidente que quando sair deixar saudades, quando um dia partir deixar saudades.

Fonte: Redacção

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