Mais de 70% de angolanos acreditam na alternância política  e quer Adalberto Costa Júnior na presidência


Novo estudo da empresa Angobarómetro revela que mais de 94% dos angolanos mostra-se com vontade de votar nas eleições. Estudo conclui que o MPLA continua a cair na preferência dos eleitores. UNITA, pelo contrário, conquista novos eleitores.

Mais de 70% dos eleitores acredita que haverá uma alternância política, através da via democrática em Angola, nas próximas eleições. 

As conclusões constam do mais recente estudo da empresa angolana de sondagens Angobarómetro. A pesquisa foi realizada no período de 29 de Janeiro a 7 de Fevereiro de 2022 e contou com a participação de 4.189 pessoas.

O estudo apurou que 70,69% dos 4.189 participantes acreditam numa “mudança política” nas próximas eleições de Agosto, contra os 20% quê se mostra pessimista, enquanto os indecisos atingem os 9,31%.

“Comparando com os resultados obtidos nos últimos inquéritos realizados em Agosto e Dezembro de 2021, registou-se a mesma tendência flutuante na medida em que os valores obtidos na actual sondagem aproximam-se dos resultados apurados em Agosto de 2021 (73,04%), após ter registado uma significativa redução na ordem dos 23% em Novembro do ano passado”, lê-se no relatório.

No mesmo estudo, foi possível apurar que embora os inquiridos acreditem numa alternância, pela via democrática, 63,88% dos “receia” que as eleições não venham a ser “livres, justas e transparentes”. Apenas 15,97% tem uma opinião “positiva” e 20,15 ainda está indecisa. “O facto de a maioria dos eleitores ter percepção negativa sobre o desfecho das próximas eleições, demonstra a falta de confiança nos órgãos de apoio às eleições, pondo em causa a legitimidade que poderá, por conseguinte, enfraquecer ainda mais as instituições do país”, conclui o relatório. 

MPLA com tendêncianegativa 

Caso as eleições tivessem ocorrido no final de Janeiro e início de Fevereiro (a sondagem decorreu de 29 de Janeiro a 7 de Fevereiro de 2022), o partido que governa o país poderia sair derrotado. Do universo representativo de 4.189 inquiridos pela Angobarómetro, apenas 28,43% renovaria a sua confiança no MPLA. Mais de 59,98% atribuiria o seu voto à UNITA. 4,60% escolheria o PRS, 3,46% votaria no Bloco Democrático. A CASA-CE atingiria 2,29% e a histórica FNLA conseguiria apenas 1,24%.

Comparando com os resultados de um inquérito similar, realizado em Fevereiro de 2021 pela mesma empresa, é possível verificar que a UNITA continua a ganhar terreno junto do eleitorado e a “beneficiar do voto de protesto”. O maior partido da oposição passou de 50,59%, em Fevereiro de 2021 para os actuais 59,98%, ultrapassando o MPLA em 31 pontos percentuais.

Além do MPLA, a coligação CASA-CE, que se separou do Bloco Democrático, também viu a sua quota de “confiança reduzida”. A coligação conseguiu no inquérito apenas 2,29% contra os 6,47% de Fevereiro do ano passado. Já o Bloco Democrático é creditado com 3,46%. O PRS conseguiu subir um ponto percentual e a FNLA perdeu o,5%.

“O MPLA tem sido penalizado pelo desgaste de longa governação por um lado e por outro devido à difícil situação social e económica, apesar de todas suas iniciativas sociais”, lê-se no relatório. 

Líder da Unita continua a ser preferido

O presidente da Unita continua a ser o líder que capta mais simpatias junto dos inquiridos para a condução do país. Adalberto Costa Júnior recebe 56,07% das intenções de voto. Esta classificação significa quase 30 pontos percentuais a mais, face ao segundo classificado, o actual Presidente da República, João Lourenço, que obtém apenas 26, 63%.

Abel Chivukuvuku, antigo líder da coligação CASA-CE, é o terceiro classificado, mesmo não tendo ainda uma formação partidária. O ex-dirigente da Unita consegue 9,35% dos votos expressos. Benedito Daniel, do PRS, fica na quarta posição com 3,10%, Filomeno Vieira Lopes, presidente do Bloco Democrático, recebe 2,93%, Manuel Fernandes, da CASA-CE, 1,17% e Nimi-a-Simbi, da FNLA, é ‘atirado’ para o último lugar com 0,75%.

Derrotas nada facilitadas

Caso o MPLA seja derrotado nas eleições, 74% não acredita que o partido aceite os resultados. Estes inquiridos indicam que o MPLA se acomodou no poder e que dificilmente rever-se-ia como partido da oposição.

Por outro lado, apenas 15,21% acredita que o MPLA aceitaria o veredicto popular por ter “maturidade” política “suficiente” que lhe permite respeitar as regras do jogo democrático, enquanto, 10,79% declara-se indeciso.

Já em relação à UNITA, 40,82% acredita que o partido, em caso de derrota, aceitaria o veredicto popular para garantir a "paz e a estabilidade política", tendo em conta a sua alegada "maturidade política" que lhe permite respeitar as regras do jogo democrático”. Já 43,54% pensa de maneira diferente. Estes inquiridos acreditam que o maior partido na oposição sentir-se-á “injustiçado” e “defraudado” pelo sistema eleitoral. 15,64% demonstra-se indeciso sobre o assunto.

'Sede' para votar

O Angobarómetro apurou que a esmagadora maioria dos inquiridos tem ‘sede’ para participar nas próximas eleições. 94,62% quer votar. 2,08% não pensa exercer esse direito, enquanto 3,31% declara-se ainda indeciso.

42,97% já fez a actualização do registo eleitoral. 57,03% ainda não.  Mais de 80% deste número tem vontade de actualizar o registo.

Esta pesquisa da empresa Angobarómetro foi realizada, via online, e teve a participação de 4.189 inquiridos.  A maioria dos participantes são do sexo masculino.

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