Lussaty diz que foi detido por ordem do general Miala e João Lourenço e que é apenas uma vítima dos poderosos
O major Pedro Lussaty, afecto à banda musical da Presidência da República, disse esta sexta-feira, 19, no segundo dia do seu interrogatório no tribunal, que sabe que quem o mandou prender foi o general Fernando Garcia Miala, chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), e o Presidente da República, João Lourenço, declarando que é "apenas uma vítima dos poderosos" e por isso está detido.

O seu advogado, Francisco Muteka, pediu ao tribunal que se arrole no processo como declarantes o Presidente da República, o chefe do SINSE e outras altas figuras do aparelho do Estado.

"Eu, major Pedro Lussaty, em circunstância alguma fui detido. Fui sequestrado e posto em cativeiro durante 11 dias por elementos desconhecidos que se fizeram passar de agentes do Estado e me levaram para lugar incerto. Só no dia seguinte é que me apercebi ser um posto médico do SINSE. Dias depois, interrogaram-me, dizendo-me que eu tinha de explicar o meu património. Quando questionei, disseram-me que apenas cumpriam ordem do general Miala e do PR", começou por explicar o arguido, sendo interrompido de seguida pelo juiz presidente que o impediu de prosseguir, alegando não serem necessárias mais explicações.

Pedro Lussaty ainda tentou insistir, mas o juiz advertiu-o, ditando para que ficasse registado em acta a sua advertência. "Em momento próprio irás dizer tudo o que quiseres", referiu o juiz.

O major "milionário" disse também que, enquanto esteve sob custódia do SINSE, foi levado a uma unidade hospitalar privada, sem estar doente, e foi injectado com substâncias estranhas.

Questionado se era financeiro da banda de música da Casa de Segurança da Presidência da República, respondeu que não.

Interrogado se era possível adicionar nomes e mudar dados na folha de salários da UGP, Lussaty respondeu não ser possível.

Às perguntas se conhecia a tesouraria da Casa de Segurança e se terá alguma vez levantado o dinheiro da UGP nos bancos, Pedro Lussaty respondeu negativamente.

Ao tribunal, o major "milionário" disse desconhecer 99 por cento dos restantes arguidos e lamentou o facto de a PGR deter e manter em prisão preventiva o seu sobrinho por ter beneficiado de uma residência que lhe ofereceu.

"Porque é que prenderam o meu sobrinho? O que foi que ele fez? Eu ofereci-lhe uma casa ser meu sobrinho. Se eu vivo bem, a minha família também tem de viver bem", disse.

Questionado sobre a origem da sua fortuna, Pedro Lussaty disse ter fruto de muitos negócios e investimentos.

Ao tribunal, o arguido ressaltou ser dono de muito dinheiro, por isso muitas pessoas têm inveja dele. "Eu tenho dinheiro e as pessoas sabem disso".

Interrogado se terá sido detido pelo SIC e o SINSE na posse de malas com milhões de dólares, kwanzas e euros, o arguido respondeu que não, mas salientou que os 17 milhões de dólares constantes na acusação são seus porque tinha no seu apartamento aproximadamente 68 milhões de dólares e mais 1,5 mil milhões de kwanzas.

Quando interrogado porque tinha tanto dinheiro guardado em casa, respondeu que como homem de negócios não confiava nos bancos a 100 por cento.

Questionado se na Casa de Segurança do Presidente da República tinha autoridade para efectuar ordens de saque, respondeu que não tinha nenhuma autoridade nem autorização.

Francisco Muteka, o seu advogado, pediu ao tribunal que se arrole no processo como declarantes o Presidente da República, o chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, a ministra das Finanças, a juíza conselheira presidente do Tribunal de Contas, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas e outras altas figuras do aparelho do Estado.

Esta sexta-feira,19, o tribunal terminou de interrogar o major "Lussaty e vai continuar com o mesmo procedimento aos demais arguidos arrolados no processo-crime.

O major Pedro Lussaty e outros arguidos, afectos à Casa de Segurança da Presidência da República são acusados dos crimes de peculato, associação criminosa, recebimento indevido de vantagens, participação económica em negócios e abuso de poder e também de fraude no transporte ou transferência de moeda para o exterior do País, comércio ilegal de moeda, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e de falsa identidade.

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