Lixo e vandalismo impedem exploração da linha dupla do Caminho-de-Ferro de Luanda
As poucas frequências diárias no troço Viana-Baia-Bungo causam transtornos aos cidadãos e a toda a cidade de Luanda. Mas o investimento efectuado para melhorar os serviços ferroviários suburbanos continua sub-aproveitado por razões de segurança.

O investimento do Ministério dos Transportes na duplicação da linha ferroviária no troço Bungo- -Baia, em Luanda, não está a ser devidamente explorado devido aos problemas de segurança que afectam a rede de caminho-de-ferro na capital do País. A operacionalização das duas linhas permitiria multiplicar o número de comboios diários, com impacto directo na vida dos cidadãos e nas contas da empresa pública. Todas as fontes contactadas pelo Expansão atribuem as dificuldades na utilização das duas linhas ao lixo, que se vai amontoando regularmente nas suas imediações.

Também atribuem as culpas às acções criminosas que resultam no roubo de material essencial para uma operação ferroviária segura (travessas, parafusos e outras peças importantes). A segunda linha foi entregue à empresa pública Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) em 2020, depois de as obras terem arrancado em 2016. Fonte do sector ferroviário explicou ao Expansão que, neste momento, a linha recentemente construída é a mais utilizada, com a infra- -estrutura mais antiga a ser relegada para segundo plano. "O problema é que esta linha fica, por vezes, literalmente soterrada debaixo do lixo", explica.

Contactada pelo Expansão, fonte oficial do CFL confirmou as dificuldades que a empresa enfrenta na gestão das duas linhas, lamentou os problemas de segurança que afectam o desempenho nas ligações suburbanas, mas recusou prestar mais esclarecimentos. As vantagens de utilizar duas linhas são fáceis de explicar: com apenas um carril a rotação de comboios nos dois sentidos fica mais difícil devido aos cruzamentos, que obrigam as composições a perder tempo de viagem.

Com duas linhas, a operação fica mais ágil, realidade que permite aumentar o número de frequências. Esta possibilidade tem efeitos directos na saúde financeira do CFL: a maior rotação de comboios equivale, em princípio, a um aumento da facturação e do número de passageiros. Em alguns fóruns internacionais é comum ouvir que as linhas únicas são difíceis de rentabilizar e subsistem as dúvidas sobre a viabilidade económica destes projectos de mono-carril.

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