Libaneses mandam no negócio do oxigénio


Libaneses estão a mandar também na produção de oxigénio.

Os hospitais de Angola registam uma elevada taxa de ocupação. Daí que persiste o também elevado consumo de oxigénio, agravado pela situação da pandemia da Covid-19.

Segundo revelou um médico intensivista, nos hospitais nacionais a taxa de ocupação ronda quase sempre entre os 80 aos 95% e têm grande consumo de oxigénio, resultante da maioria dos doentes chegarem em estado muito grave e quase sempre com necessidade de oxigénio suplementar.

"Com a Covid-19 a situação piorou consideravelmente, porque o consumo de oxigénio pelos doentes internados com a pandemia é bastante alto", salienta o médico.

E acrescenta, "as alas de Covid-19 dos grandes hospitais chegam a consumir as mesmas ou até quantidades superiores de oxigénio em comparação as restantes alas do hospital. As poucas empresas que distribuem esse bem essencial têm de abastecer os hospitais e centros de saúde, clínicas e os hospitais de referência para tratamento do doente Covid-19. Isso pode levar facilmente a rotura de stock de oxigénio levando a mortes potencialmente evitáveis".

Ainda de acordo com o médico, quando os reservatórios estão com níveis baixos os hospitais recorrem ao uso de vasilhas enquanto aguardam um novo abastecimento, que se não acontecer resulta numa escassez total de oxigénio na unidade hospitalar porque as vasilhas têm uma quantidade muito limitada de oxigénio.

Relatos da escassez de oxigénio nos hospitais do País provêm de várias regiões do País. Este bem (oxigénio) é produzido em Angola por empresas privadas e algumas unidades hospitalares que detêm engenhos para o efeito, mas por alegada falta de manutenção muitas dessas unidades instaladas nos centros de saúde estão fora de serviço, revela uma fonte conhecedora do assunto.

Uma fonte confidenciou que actualmente o negócio no País é dominado por um circuito fechado, liderado por cidadãos de origem libanesa, que prestam serviços às unidades hospitalares que não dispõem de equipamentos apropriados para o fabrico de oxigénio.

Sublinhou que, às empresas nacionais pouco ou nada resta do negócio do oxigénio que diz ser muito rentável, sem no entanto especificar os custos actuais do produto fornecido.

Em meados de Fevereiro do ano em curso, o hospital Josina Machel registava falta de oxigénio para atender inúmeros pacientes ali internados, o que obrigou as autoridades sanitárias locais a transferirem os doentes para outros estabelecimentos hospitalares, como o Hospital do Prenda.

Por essa ocasião, a fonte não revelou os motivos que estiveram na base da falta de oxigénio na unidade hospitalar central de Luanda que diariamente recebe centenas de pacientes provenientes de vários cantos do País.

A situação criou constrangimentos entre pacientes e acompanhantes, sobretudo menores e idosos, tendo a fonte tranquilizado não ter havido relatos de mortes por falta de oxigénio.

"Já estamos assim há duas semanas, mas ontem o dia foi pior, só não tivemos óbitos porque Deus existe", assegurou a fonte, acrescentando que, "a cada dia que passa a situação está a agravar, porque recebemos doentes de vários pontos do País em situações críticas".

No entanto, uma fonte da direcção do Hospital do Prenda, confirmou ao Novo Jornal que aquela unidade hospitalar recebeu dezenas de pacientes transferidos do Hospital Josina Machel, por falta de oxigénio.

"Confirmo sim essa informação. Estamos há uma semana a receber pacientes vindos do "Maria Pia" porque lá, não há de facto oxigénio. Aqui no Hospital do Prenda não temos esse problema, por isso estamos a receber", revelou.

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