JLO aprova despesa de emergência para instalação de antena terrestre para o Angosat 2


Satélite será lançado no primeiro semestre de 2022.

No despacho presidencial, que não avança os custos relacionados com a aquisição desta antena gateway da Banda KA, que é suposto "rentabilizar as capacidades previstas no Angosat após o seu lançamento", são delegadas competências no ministro das Telecomunicações,Tecnologias de Informação e Comunicação Social para aprovação de todos os actos praticados no âmbito do contrato.

Com a última actualização das informações, em Setembro de 2019, a previsão é que o satélite seja lançado no espaço no primeiro semestre de 2022, mas o programa espacial angolano tem sofrido alguns reveses: O primeiro, a 26 de Dezembro de 2017, quando a indústria espacial russa lançou, desde o cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, o Angosat-1 para o espaço, tendo este, depois de colocado em órbita, sofrido uma avaria irreparável, sendo dado como "morto" em Fevereiro de 2018.

O contrato, que valia 121 milhões de dólares, estava salvaguardado pelo seguro e obrigava os russos da Rosoboronexport, empresa estatal responsável pelas exportações militares russas, que contratou à igualmente russa RSC Energia, empresa que lidera o consórcio responsável pela construção do engenho, a fornecerem um novo satélite sem custos adicionais para a parte angolana, mas o Governo angolano decidiu, a conselho dos fabricantes, aproveitar o falhanço do Angosat-1 para melhorar o segundo satélite, o que terá implicado o desembolso de mais uns milhões de dólares.

Em 2019, segundo o ministro das Telecomunicações e Tecnologias da Informação de então, José Carvalho da Rocha, estava previsto o Angosat-2 custar 320 milhões de dólares e ser posto em órbita em 2021, mas entretanto, no final de 2020, o director geral do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional, Zolana João, avançou que o lançamento do Angosat-2 estava previsto apenas para o primeiro semestre de 2022.

O que observam os satélites de observação da Terra?

Quando Angola chegar ao espaço, serão, segundo dados do UNOOSA, um índex online que monitoriza a presença de objectos artificiais no espaço, 82 os países com capacidade de monitorização de alguma forma da actividade terrestre, embora apenas 65 listados como tendo capacidade de operar satélites.

Na lista dos países com mais satélites em órbita, os EUA lideram, com 859, a China segue-se com 250, a Rússia surge em 3º com 146, e o Japão, a Índia e o Reino Unido chegam depois com, respectivamente, 72, 55 e 52 objectos espaciais.

A característica mais proeminente dos satélites com as funções de observação da Terra é a de permitir obter uma visão alargada da geografia terrestre, com detalhe que pode ir desde o avanço das queimadas, da subida das águas do mar devido às alterações climáticas ou, por exemplo, analisar o potencial mineiro de uma determinada área, o que, para Angola, se poderá revelar de extrema importância, bem como determinar as melhores áreas para os diversos tipos de agricultura ou agro-pecuária.

Aliás, segundo as conclusões do simpósio "Living Planet", organizado pela Agência Espacial Europeia (ESA), em Praga, na República Checa, em 2016, os satélites de observação da Terra são a ferramenta mais precisa para responder a perguntas fundamentais relacionadas com o clima, os oceanos, a atmosfera e o interior da terra.

Neste simpósio ficou ainda em relevo o facto de a observação do planeta a partir do espaço, com as ferramentas correctas, se ter já revelado uma mais-valia para os negócios, havendo mesmo dados que apontam para uma melhoria a multiplicar por 10 na capacidade de decisão para investimentos em determinadas áreas.

Simoneta Cheli, chefe do programa da ESA, citada pela Euro News, defende que "as avaliações económicas feitas por agências importantes indicam que para um investimento no espaço de um euro existe um retorno económico, de benefícios da economia associada a produtos e serviços baseados em informação de satélite, de dez euros. Por outras palavras, um investimento de uma unidade com um retorno de dez".

Isto resulta, por exemplo, de um aumento enorme da capacidade de prever colheitas, a determinação dos melhores terrenos para um determinado tipo de cultura, escolher entre plantar milho ou trigo..., antecipar o avanço do deserto, obter dados sobre a seca ou as cheias iminentes, a poluição nas cidades ou ainda radiografar o subsolo em regiões para determinar o potencial mineiro ou descobrir novas áreas de potencial mineiro, desde os diamantes ao ferro, etc.

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