INE esconde orçamento total dos inquéritos lançados esta semana em Luanda


Na campanha que vai decorrer nos próximos cinco meses, espera-se que sejam identificadas as pessoas que perderam os empregos durante a pandemia. INE vai aproveitar para actualizar registo de empresas.

O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) lançou, esta semana, em Luanda, pela primeira vez, dois inquéritos sobre o impacto da Covid-19 nos agregados familiares e nas empresas, mas escondeu o orçamento dos dois censos que contam com o patrocínio do Banco Mundial.

Os dois inquéritos que vão decorrer em simultâneo, terão a duração de três meses e apenas ao final de cinco meses serão apresentados os resultados. O objectivo dos dois censos, que contam com o patrocínio do Banco Mundial, é apurar os efeitos da crise com a pandemia da Covid-19 nos rendimentos, empregos e como os apoios do Estado conseguiram, ou não, a minimizar as dificuldades enfrentadas pelos agregados familiares e as empresas angolanas.

Os dois inquéritos têm abrangência nacional e serão realizados recorrendo a chamadas telefónicas e cada entrevistado terá direito a um cartão de saldo da operadora que usa como meio de comunicação. Ao todo serão abrangidos 2.500 agregados familiares. Ainda não foi revelado valor do saldo, mas contas feitas indicam que se o saldo custar 1.000 Kz, o INE e o Banco Mundial vão gastar 2,5 milhões Kz só nos saldos.

Questionado pelo Expansão sobre qual o orçamento do inquérito, o director geral do INE, José Calenji, não revelou os montantes envolvidos, mas lembrou que está em curso a elaboração final do caderno de encargos para avaliar o custo dos dois censos. Durante a apresentação, o responsável disse que os dois inquéritos vão fornecer dados necessários para monitorar potenciais efeitos da Covid-19 nas famílias e empresas de forma a apoiar o Governo nas decisões políticas.

Nesta campanha, espera-se que seja identificado o número de pessoas que perderam os seus empregos, tendo em conta que a taxa de desemprego tem subido e já está acima dos 30% e mais de 80% das pessoas empregadas estão no mercado informal. Já para as empresas, espera-se avaliar o impacto da pandemia no seu funcionamento e identificar as principais dificuldades enfrentadas pelas companhias nos diferentes sectores de actividade.

Para a directora geral adjunta do INE, Anália da Silva, esta vai ser a oportunidade de actualizar a base de dados sobre o tecido empresarial angolano. A responsável adiantou que Luanda, que conta com cerca de 60% das empresas do País, vai ser a província que mais vai merecer atenção nestes inquéritos. "Vamos recorrer à base de dados do ficheiro sobre as empresas em Angola de 2019 para actualizar os números das unidades empresariais que ainda existem depois da pandemia da Covid-19", disse a responsável, lembrando que em 2019, Luanda tinha mais de 30 mil empresas activas, mas com a crise este número pode ter baixado. "Vamos fazer tudo para a actualizar o ficheiro das empresas", disse Anália da Silva. Em 2019, 799 empresas na capital do País suspenderam a sua actividade e 196 encerraram as portas, indicam os dados do INE.

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