Hospedarias continuam rentáveis na pandemia


Negócio resistiu a todas as restrições impostas pela pandemia da covid-19 e níveis de clientes continuam os mesmos da época pré-pandemia aos fins-de-semana. Na maior parte dos casos, não houve mudança de preços.

Contrariamente aos hotéis que viram a taxa de ocupação cair drasticamente por conta do encerramento das fronteiras, devido à pandemia da covid-19, o segmento das hospedarias resiste aos efeitos da crise sanitária que devastou a economia. Desde o fim do Estado de Emergência, decretado em Março de 2020, o negócio voltou quase à normalidade, à semelhança da época pré-pandemia, sem alterações relevantes de preços nos diferentes modelos.

Os preços são para todos os gostos e bolsos. Podem começar dos 2.500 kwanzas por hora e atingir os 10 mil, dependendo das condições que o quarto oferece. Na opção diária, as regras são as mesmas. Quanto mais conforto, maior é o preço e há situações em que ultrapassa a fasquia dos 20 mil kwanzas. E há situações em que as casas oferecem descontos na diária, no caso de o cliente usar outros serviços, como o da restauração.

Neste segmento, gestores e funcionários não têm grandes reclamações de falta de clientes. Nas diferentes hospedarias, visitadas pela nossa reportagem, na cidade de Luanda, a procura mantém-se, sobretudo, aos fins-de-semana, altura em que a procura é mais do que a oferta e se registam mais reservas. Há situações em que os clientes têm de aguardar no restaurante até que surja um quarto desocupado, como tem acontecido no Kizomba, de Viana e da Tourada, e no Tweva. Por isso, certas hospedarias evitam fazer diárias nos dias de muita demanda com vista a facturar mais.

Em média, os estabelecimentos visitados, com 12 a 18 quartos, chegam a atender 40 clientes num dia de fim-de-semana, sendo que a maioria paga duas, acabando, muitas vezes, por esticar para até três ou quatro horas. Com excepção do Kizomba, que tem 50 quartos que ficam também todos ocupados. O que indica que, num sábado, por exemplo, cobrando quatro horas a 10.500 kwanzas pode facturar mais de meio milhão, sem agregar outros ganhos com a restauração.

“Nesta época de covid-19, pensávamos que teríamos poucos clientes por causa das restrições. O fluxo continua o mesmo, apesar das medidas mantemos o número de clientes, às vezes excedemos”, conta José Bunga, gestor da Tweva.

Bunga explica que, para manter os clientes, visto que se encontra num perímetro com sete concorrentes, aposta na boa acomodação e ética. “O bom atendimento é o segredo porque o que tem acontecido são os clientes habituais a comunicarem a outros”, detalha, lamentando, entretanto, o facto de a sociedade encarar as hospedarias como “lugar de prostituição”, enquanto se trata de espaços que acolhem recém-casados, casais que queiram ter momentos privados, viajantes e não só.

Outra unidade que não se queixa de quedas de clientes é a hospedaria Ngueza. Pela demanda, investiu, no ano passado, em mais uma, perto da antiga que não conseguia atender à clientela. Funcionários contam que não vivem tantas dificuldades sobrevindas da pandemia.

Se uns não se queixam, outros o fazem porque a pandemia arrancou clientes. É o caso das hospedarias Afonseca, Façanhas e Casa In. A primeira contabiliza uma queda de quase 50% de clientes, sendo que antes variava entre 50 e 60 diariamente. Para contornar a situação, equaciona reactivar o restaurante. Já as duas últimas estimam uma perda de 70%.

Várias empresas deste segmento declaram não terem despedido ou suspendido contratos com os funcionários desde o início da pandemia. Quanto às medidas de biossegurança, asseguram que as cumprem à risca, desde a mudança de lençóis e desinfestação. E apontam como sinal de cumprimento das medidas a manutenção dos clientes. Além dos serviços de quartos, muitas destas empresas oferecem serviços de restauração, venda de produtos de massagem, cosméticos e piscina.

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