Guerra na Ucrânia afecta Angola - Vida estará mais cara


om o número de sanções contra a Rússia a aumentar diariamente devido à guerra com a Ucrânia, os preços de produtos alimentares e outras commodities no mercado internacional aumentam, penalizando assim economias dependentes de importações e de mercados externos. É o caso de Angola.

As sanções impostas pelo Ocidente à Rússia devido à invasão militar da Ucrânia não afectam apenas os países envolvidos e a Europa, já que além do stress provocado ao sistema financeiro mundial, estão também sob pressão os preços das commodities como petróleo, gás natural, trigo e milho. Espera-se uma escalada nos preços, com impacto adicional sobre uma inflação global muito pressionada ainda pelos efeitos da pandemia.

Se por um lado Angola beneficia da alta dos preços do petróleo, por outro, tratando-se de um país importador de bens alimentares, vai deparar-se com a subida generalizada dos preços dos alimentos, o que, segundo especialistas, deverá comprometer o combate à inflação, aquela que é a missão do Banco Nacional de Angola (BNA), que tem apostado numa politica monetária apertada, mas também do Governo, que este ano fez baixar o IVA e isentou direitos aduaneiros sobre determinados produtos da cesta básica, e criou a Reserva Estratégica Alimentar precisamente para aumentar a oferta de produtos no país para baixar os preços.

"Apesar de a subida dos preços dos combustíveis não terem impacto em Angola, por causa da subsidiação estatal, com excepção no sector da aviação, esta subida dos preços do petróleo vai fazer subir, obviamente, os preços dos alimentos lá fora. Portanto, olhando para a estratégia montada em Angola, esta subida dos preços dos alimentos lá fora será superior a uma eventual descida dos preços em Angola devido ao aumento da oferta, via Reserva Estratégica Alimentar, e às descidas no IVA e nos direitos aduaneiros", admitiu ao Expansão uma fonte ligada à banca.

E o mesmo pensam os importadores: "É certo que os produtos alimentares vão ficar mais caros. Mais ou cedo ao mais tarde, Angola vai sentir as consequências desta guerra, porque dependemos essencialmente de importações. O frete marítimo vai encarecer ainda mais, as commodities no mercado internacional vão ficar mais caras", disse ao Expansão o responsável de uma rede de distribuição moderna.

Para este profissional, a constituição da Reserva Estratégica Alimentar (REA) por estar numa fase inicial, não deverá ser capaz de contrapor a tendência de subida dos preços dos produtos alimentares, já que esta também depende de importações, independentemente se serem de produtos da cesta básica.

"Mesmo os produtos da cesta básica também vão encarecer e quanto mais demorar a guerra, maiores serão as consequências. E não podemos esquecer que a REA ainda não tem um grande stock", concluiu.

REAÇÕES

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