Falta de transparência pode atrapalhar investimento árabe em Angola


Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Angola-Emirados Árabes Unidos defende que Angola precisa de acelerar a implementação dos acordos de protecção de investimentos, se pretende fidelizar os investidores dos Emirados Árabes Unidos.

A falta de transparência nas leis do investimento privado a protecção de investimentos e as dificuldades no repatriamento de capitais são aspectos que “podem influenciar negativamente” a incursão dos árabes em Angola e no continente africano em geral.

A afirmação é do presidente da Câmara de Comércio e Indústria Angola-Emirados Árabes Unidos (CCIA-EAU), Bráulio Sanda Mohamed Martins, para quem a “discriminação islâmica” é também um dos factores de inibição da entrada desses investidores que “têm muito dinheiro, mas precisam de seriedade no negócio com os parceiros”.

No caso de Angola, Bráulio Martins aponta “alguns avanços”, mas nota que “é preciso acelerar”, já que persistem “algumas lacunas” no que se refere à implementação dos acordos de protecção de investimentos e à lei cambial.

Apesar desses constrangimentos, o presidente da CCIA-EAU explica que a câmara que dirige conseguiu convencer a sua congénere dos Emirados, no sentido de trazer para Angola investidores que cá estarão em Junho próximo para identificar, com parceiros locais, oportunidades de negócios em diferentes sectores com destaque para a agricultura e montagem de equipamentos agrícolas. Segundo Bráulio Martins, é a primeira vez que a Dubai Chamber enceta uma incursão desta envergadura em África, o que “traduz a seriedade como os árabes encaram os processos de abertura e transparência nos negócios”.

Destacando que a Dubai Chamber “nunca esteve presente em África”, Bráulio Martins enfatiza a aceitação desta maior câmara do mundo criada em 1965 e que congrega mais de 300 mil membros. “Fizemos uma demonstração a indicar que Angola não é só petróleo ou diamantes, mas um enorme potencial a explorar”, referiu.

Não se sabe de concreto quantas empresas árabes estarão no fórum de Luanda, em Junho, mas Bráulio Martins nota que a vontade dos árabes de estabelecerem parcerias com os angolanos vem sendo manifestada desde Outubro do ano passado por altura da sexta edição do Global Business Forum Africa (GBF) 2021 no Dubai, onde foi assinado o memorando de entendimento entre Angola e os Emirados Árabes Unidos, para a partilha de conhecimento e cooperação.

Em sentido inverso, a câmara estará presente em Março na AIM, maior bolsa de negócios do mundo, no Dubai, com 50 empresas, podendo esse número aumentar em função da adesão de representantes provinciais.

GBF EM NÚMEROS

A sexta edição do GBF África, realizada em Outubro transacto, é o primeiro de três fóruns globais de negócios organizados pela Dubai Chamber em parceria com a Expo 2020 Dubai. Durante as últimas cinco edições, o fórum reuniu mais de seis mil participantes, 22 presidentes africanos e 120 ministros africanos, que realizaram mais de 1.150 reuniões bilaterais de investimento. Angola esteve presente com algumas empresas, como a Endiama, a seguradora Sanlam e os bancos BIC e BAI.

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