Falta de água dispara preço - Bidão de 25 litros custa 200 kz


Em vários bairros de Luanda.

Nos municípios de Cacuaco, Kilamba-Kiaxi, Cazenga e Viana são os mais afectados, já a parte baixa da cidade e arredores, apesar das falhas, o abastecimento tem sido de forma alternada, soube o Novo Jornal, embora as queixas tenham subido de tom nos últimos dias também nestas áreas.

Enquanto não se resolve a situação, a população tem vivido dias difíceis devido à falta de água nas suas casas, sendo as famílias obrigadas a gastar dinheiro que estava destinado para outras despesas a comprar água em bidões de 25 litros cujo preço subiu abruptamente dos 50 para os 200 kz em média.

Nos municípios do Cazenga e de Cacuaco, como verificou o Novo Jornal, especialmente nos bairros Tala-Hady, 11 de Novembro, Marcelo Caetano, Vila de Cacuaco e do Kikolo, o clamor pela falta de água é gritante e muitas famílias vivem em permanente desespero.

Nestes bairros, os motoqueiros, vulgos "kupapatas", vendem agora o bidão de 25 litros a 200 kwanzas ao contrário dos 50 anteriormente vendidos, o que está a descapitalizar as famílias mais desfavorecidas, estando muitas a ser obrigadas a optar entre comprar água ou alimentos.

Há quem esteja a vender ao preço de quatro bidões de 25 litros por 500 kz, mas a luta para se conseguir adquirir um bidão é grande porque quase todos os "kupapatas" vendem por encomenda aos clientes, que chegam a esperar dias pela sua água.

"Estamos mal, desde o mês de Novembro que não corre água no bairro e os kupapatas não facilitam", disse ao Novo Jornal Amaro João, morador do Cazenga.

No Kilamba-Kiaxi, os fontanários estão sem água desde Dezembro último e a situação faz com que muitos munícipes procurem a água nos bairros vizinhos.

Kaculo António, munícipe da zona do Golf, contou que os camiões-cisternas são as alternativas, mas assegurou que os preços subiram de tal ordem que muitos deixaram de poder comprar água por esta via.

Também no Zango, um residente contou à Radio Luanda, esta manhã, que a falta de água naquele distrito é agora a principal dor de cabeça dos moradores.

"Por favor façam algo por nós. Por favor, passamos mal", lamentou aquele munícipe.

Na Centralidade do Zango 5, a situação já dura há um mês, quem lá vive queixa-se de que está a ser difícil viver sem água nas torneiras e também ali o recurso aos "kupapatas" têm sido a solução.

Madalena de Carvalho, moradora daquela centralidade, disse ao Novo Jornal que leva diariamente consigo, na viatura, dois bidões de 25 litros no carro para se abastecer no serviço.

Já outra moradora, que preferiu não ser identificada, explicou que não conseguiu ir ao serviço na segunda-feira, 17, por não ter em casa um litro de água para cozinhar e tratar da higiene.

O problema da falta de água pode ser resolvido no final desde mês ou no princípio do Fevereiro assegura a EPAL

Em declarações ao Novo Jornal, Albertina Baptista, directora de comunicação e marketing da EPAL, disse que o problema da escassez de águas em Luanda vem de 14 de Dezembro último, quando se registou o desacoplamento de uma das condutas que fornece água para o canal superior do Kikuxi, que alimenta as Estações de Tratamento de Águas (ETA) de Luanda Sul, Luanda Sudeste e os Kikuxi I e II.

"Essas estações é que alimentam 60 por cento da província de Luanda. E desde aquela altura, temos tido alguns constrangimentos porque o sistema ficou parado durante algum tempo e a própria reposição leva tempo", explicou.

As condutas estão vazias, prossegue, e até estarem cheias levam tempo. "Para além dessa situação tivemos também problemas operacionais e técnicos, o que que fez com que houvesse essa redução no fornecimento", adiantou.

Segundo Albertina Baptista, a recuperação da conduta está a ser feita e os cidadãos terão que esperar até ao final deste mês ou princípio de Fevereiro para verem reposta a água.

Quanto a isso, explicou a responsável, o abastecimento de água à capital será feito de forma alternada, visto que a EPAL não consegue abastecer continuamente toda a urbe.

"O pouco que conseguimos produzir é o que abastecemos, de forma alternada, nalgumas zonas", acrescentou.

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