Euro desvaloriza 4,5% face ao kwanza em apenas duas semanas
No dia 12 deste mês eram precisos 441 kwanzas para comprar um euro. Duas semanas depois, na passada quarta-feira, já só eram necessários 422 Kz. À taxa de câmbio média do banco central, entre a compra e a venda, o Euro caiu de 435 Kz para apenas 416 Kz.

Em apenas duas semanas o Euro desvalorizou face ao kwanza mais de 4,5%, sendo que se esta análise se estender até ao início deste ano, quase nove meses, a desvalorização atinge os 34%. No dia 1 de Janeiro eram necessários 629 Kz para comprar um euro e agora apenas 422 Kz, menos 207 kwanzas, de acordo com o câmbio do BNA.

As justificações para esta tendência são explicadas por uma valorização do kwanza em termos do mercado cambial internacional, que tem reflexo na paridade com outras moedas, embora com menor dimensão, mas também porque o Euro está a perder valor nos mercados financeiros mundiais.

Em termos práticos, o Banco Central Europeu (BCE) "culpa" os altos preços da energia e a inflação recorde, quase 10% na média dos países da EU, mas alguns especialistas defendem que a instituição demorou muito tempo a reagir face aos sinais de recessão que se apresentavam. Enquanto que a Reserva Federal Americana aumentou as taxas básicas em 300 pontos base no acumulado desde março, o BCE até agora executou apenas 125 pontos base de subida.

À medida que a FED aumenta as taxas de juro, as taxas de retorno dos investimentos em dólares que rendem juros também tendem a subir. Se a FED tem aumentado as taxas mais do que o BCE, é normal que os retornos de juros mais altos nos EUA atraiam dinheiro que está em euros para investimentos denominados em dólares. Esses investidores terão que vender euros e comprar dólares para comprar essas participações. Isso leva o euro para baixo e o dólar para cima.

Consequências

Para o nosso País, que vive sobretudo das importações, a valorização da moeda representa sempre boas notícias, porque as compras e as dívidas em moeda estrangeira necessitam de menos kwanzas, e como tal, ficam mais "baratas". No caso específico do euro, tendo em atenção que uma parte significativa das importações alimentares e de equipamentos é feita da Europa, esta desvalorização torna os produtos mais acessíveis. Existe também um conjunto de alargado de serviços pagos na moeda europeia pelas empresas e administração pública, que saem menos onerosos.

Apesar da inflação que se vive no espaço europeu tornar as importações mais caras, a valorização do kwanza serve como "almofada" e permite manter, ou mesmo baixar, os preços no mercado nacional. Isto no curto e médio prazo, porque um ambiente de crise num dos maiores parceiros comerciais do País, vai acabar por se reflectir na nossa economia, que continua dependente da produção no estrangeiro, uma vez que diversificação económica não acontece e a produção nacional é muito curta para as necessidades de consumo.

Do lado dos investimentos, a situação é contrária. Por um lado, o dinheiro que vem da Europa para a nossa economia vale menos, é necessário mais dinheiro para um projecto que foi validado há meses atrás, o que afasta os investidores. Mas mais do que isso, em ambiente de crise há menor disponibilidade de captação de investimentos, o que já se faz sentir no País, sendo que alguns dos projectos já protocolados demoram agora mais tempo a efectivar-se.

É importante acrescentar que na perspectiva do pequeno investimento privado que vem de Portugal, Espanha, Itália ou outros países europeus, esta desvalorização também não ajuda. Do ponto de vista do empresário estrangeiro os custos dos projectos aumentam, assim como aumentam os salários dos expatriados que são necessários para os implantar.

Se olharmos para a frente, é previsível que a moeda nacional se mantenha estável enquanto as receitas do petróleo se mantiverem altas, e que o euro tenderá a continuar a cair uma vez que a questão energética da Europa não terá uma resolução definitiva nos próximos meses. O Banco Central Europeu a anunciou uma subida de 75 pontos base das taxas de juro na reunião de setembro, a segunda subida consecutiva após o aumento de 50 pontos base que já tinha sido feita em julho, mas isso não inverteu esta tendência.

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