Em plena Luanda população recorre às valas e sobrevive de água salobra


Situação ameaça saúde pública porque até a água vendida pelos kupapatas é ″amarelada e provoca inflamações na barriga e doenças diarreicas, sobretudo nas crianças″.

As reclamações agudizam-se, conforme constatou o Novo Jornal, na manhã desta quinta-feira, 23, no município do Kilamba Kiaxi, nos bairros do Palanca, Popular, Ana Ngola, vulgo bairro sujo, Rangel e Cazenga, Terra Nova, Tala Habi e Comissão do Cazenga, onde vários munícipes manifestaram descontentamento, dizendo desconhecer o motivo da falta de fornecimento de água.

As reclamações dos cidadãos contradizem as declarações do porta-voz Empresa de Pública de Água de Luanda (EPAL), Vladimir Bernardo, que disse em entrevista ao Novo Jornal que "não existe falta de água na capital"

Segundo Vladimir Bernardo, apenas "existem, de momento, algumas restrições no fornecimento em diversos bairros da província de Luanda devido aos trabalhos de manutenção que decorrem na linha de alta tensão da Estação de Tratamento de Água (ETA), em Cassaque".

 Muitos bairros estão sem o fornecimento de água e os seus moradores recorrem às valas e poços para conseguirem apenas "água salobra", porque o atual sistema de captação e distribuição de água à população deixou de funcionar e só quem tem condições para tal é que compra um bidão de 25 litros por 250 ks nos "kupapatas", que antes o vendiam a 50 kz.

O responsável pela comunicação da EPAL, durante a entrevista garantiu que a situação estaria resolvida na terça-feira passada, dia 21, mas até à data desta publicação, não houve nenhum desenvolvimento por parte da Empresa de Pública de Água de Luanda.

Moradores do São Pedro da Barra - Petrangol saem a pé, até aos bairros do São Paulo e Cuca, à procura da água. Nestas zonas, os moradores dizem-se cansados de tanto reclamarem e de gastarem dinheiro diariamente, para a aquisição de bidões de água que está ser comercializada "amarelada e provoca inflamações na barriga e doenças diarreicas, sobretudo nas crianças".

António Dacosta, residente no bairro Palanca, disse que a sua circunscrição não tem água potável há mais de dois meses.

"Estou sentido, muito triste, por, em pleno seculo XXI, termos de nos sujeitar a consumir água salobra", diz.

"Os nossos governantes obrigam a população a consumir água retirada de uma sonda, poços, valas e em cacimbas devido à péssima governação a que assistimos há largos anos", descreveu o munícipe.

"Já não sabemos o que fazer porque a única solução que temos é consumir água salobra devido à escassez. Mesmo a que está ser vendida pelos motoqueiros das kupapatas provoca inflamações na barriga e doenças diarreicas, sobretudo nas crianças", desabafou Mariana, uma das moradoras do bairro do Palanca, na rua A.

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