Dólar valorizou 15,5% face ao Euro nos últimos doze meses


A paridade entre o Dólar e o Euro estava na passada 4º feira em 0,97, sendo que no início de agosto do ano passado era 0,84, uma valorização de 15,5%.

A paridade entre o Dólar e o Euro estava na passada 4º feira em 0,97, sendo que no início de agosto do ano passado era 0,84, uma valorização de 15,5%.

Em janeiro de 2018 só eram necessários 81 euros para comprar uma nota de 100 dólares, hoje já são precisos 97 euros. Esta valorização foi feita de forma paulatina até ao início de 2020, quando paridade entre as duas moedas chegou aos 0,9, sendo que voltaram afastar-se nos meses seguintes, e que coincidiu com os últimos anos do mandato de Trump, quando a economia americana passou por momentos complicados.

Com o efeito Biden em Janeiro deste ano o dólar voltou a subir, com o valor de comparação entre as duas moedas a voltar a aproximar-se, fixando-se em Janeiro em 0,89. Veio depois a guerra da Ucrânia no final de Fevereiro, numa primeira fase sem grande influência na paridade cambial, mas a verdade é que quando se percebeu que afinal esta era para durar e que as sanções impostas à Rússia tinham efeito boomerang sobre as economias europeias, o dólar valorizou fortemente, tendo no final de Maio ultrapassado o euro.

E aqui acendeu-se uma luz na reserva federal norte-americana, que naturalmente ambiciona ter uma moeda forte, mas que não a podia deixar subir por aí a cima pois punha em causa as suas exportações, e com elas o crescimento das suas indústrias. O equilíbrio das últimas semanas mostra uma tendência para que esta paridade se fixe ligeiramente abaixo da unidade, pelo menos enquanto a Europa não tiver uma solução eficaz para a sua economia.

Se olharmos para a Alemanha e França, que são as lideranças económicas da Europa, percebe-se que estes países para além de terem aumentado grandemente a sua facturação em energia que afecta directamente todo o tecido produtivo, também perderam o mercado russo para colocar os seus produtos, especialmente a Alemanha, o que impactou negativamente nas suas balanças comerciais. E o facto de Euro ter desvalorizado face ao dólar, amortizou este fenómeno porque os seus produtos acabaram por ser tornar mais competitivos na entrada em outros mercados.

O comportamento das últimas semanas mostra que se pode estar perto de um equilíbrio, ou seja, que não vamos assistir a outra desvalorização do Euro, mas também parece crível pensar que a paridade de 0,8 de 2018 não voltará a acontecer nos próximos anos. Neste aspecto também é importante dizer que os Estados Unidos têm maior capacidade de definição do valor da sua moeda que o Banco Central Europeu face ao euro, o que é uma importante vantagem

Acrescentar aqui que a China também não tem grande interesse em valorizar a sua moeda no sistema cambial internacional, por causa da competitividade das suas exportações, mas parece empenhada em alterar o jogo de forças no mercado financeiro, nomeadamente generalizando a utilização do yuan nas trocas entre os países que estão fora do alinhamento ocidental.

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