Comité para a Protecção dos Jornalistas exige segurança para profissionais trabalharem em liberdade e sem risco de detenção


O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova Iorque, lançou hoje um apelo às autoridades angolanas para garantirem que os profissionais que estão a cobrir o processo eleitoral o possam fazer em liberdade e sem risco de serem detidos.

Este apelo do CPJ, uma organização fundada em 1981 e uma das mais destacadas organizações de defesa da liberdade de imprensa em todo o mundo, surge depois de um jornalista da Voz da América (VOA) ter sido detido durante cerca de três horas quando cobria uma manifestação de protesto contra a forma como está organizado o processo eleitoral em Angola.

Coque Makuta, o repórter da VOA, segundo o CPJ, como também explicou publicamente o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Teixeira Cândido, estava a fazer o seu trabalho devidamente identificado e sem fazer nada para justificar a atitude dos agentes da polícia que o detiveram temporariamente.

O CPJ recorda que este período eleitoral em Angola exige das autoridades uma resposta rápida e eficaz para garantir que os jornalistas "têm as condições de trabalho livre e em segurança garantidas" de forma a que não sofram quaisquer limitações, incluindo as que resultem do "excesso de zelo" dos agentes da polícia.

"Os jornalistas não podem estar sempre em risco de pressão e censura dos agentes da autoridade que procuram limitar o que pode e não pode ser informação veiculada para o público", nota o CPJ.

"Um dos sinais de que eleições são livres e justas é a capacidade dos jornalistas trabalharem sem perseguição ou violência", aponta o CPJ em comunicado enviado ao Novo Jornal, acrescentando a sua coordenadora para África, Angela Quintal, que "deter jornalistas e controlar o que podem divulgar é uma via segura para que as eleição não sejam nem livres nem justas".

A detenção de Coque Makuta, que mereceu este reparo do CPJ, ocorreu quando o jornalista cobria o início de uma marcha da sociedade civil, no Cemitério de Santa Ana, em Luanda, seno o objectivo chegar à sede da CNE, para a entrega de um manifesto, que não chegou a realizar-se devido à intervenção da Polícia Nacional.

Segundo os organizadores foram detidas 15 pessoas.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Teixeira Cândido, explicou que nada justifica que Coque Makuta tenha sido interpelado nem retido durante três horas porque "não há nenhum recolher obrigatório," e este "encontrava-se num espaço público e a cobrir um acontecimento público".

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