BPC com prejuízos de 80,7 mil milhões em 2021


Plano de recuperação termina em 2023. Até lá, o banco tem mais de um bilião Kz em resultados transitados para gerir, uma vez que estão a "comer" os capitais próprios pondo em causa a sua solvabilidade.

Depois de ter registado o maior prejuízo da história da banca em 2020, quando fechou o ano com um resultado líquido negativo de 535,9 mil milhões Kz, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) viu o seu prejuízo recuar 85% para 80,7 mil milhões Kz, de acordo com o balancete do IV trimestre de 2021. Em dólares, os prejuízos caíram de 825 milhões USD para 145,5 milhões USD. A contas com um plano de reestruturação que terminará em 2023, aquele que é o maior banco público viu os seus activos caírem 19,6% no ano passado, passando de 2.350,4 mil milhões para 1.889,9 mil milhões Kz (-460,5 mil milhões).

Ao contrário dos relatórios e contas, os balancetes não revelam detalhes sobre os números, pelo que apenas é possível perceber que essa queda nos activos do BPC se deve, essencialmente, a uma descida de 250,2 mil milhões Kz na rubrica "Outros Activos", bem como de uma queda de 194,9 mil milhões Kz nos "Créditos no Sistema de Pagamentos", e de 98,2 mil milhões Kz em "Títulos e Valores Mobiliários". Ainda as[1]sim, o BPC é a terceira instituição bancária com a maior carteira de títulos de dívida pública.

O banco, cujo plano de reestruturação termina em 2023, já terá custado aos cofres públicos 1,4 biliões Kz, com a maior parte dessa recapitalização a ser feita através de títulos de dívida pública, o que se tornou um problema a partir do momento em que, em 2020, a República de Angola viu as empresas de classificação de risco baixar o rating da dívida soberana angolana.

Naquele ano, se já não bastava a crise do malparado ter afectado fortemente as contas do BPC em 2020, esse downgrade foi mais uma "machadada" no trabalho de recuperação do banco, pois já se sabia que teria de reconhecer imparidades na ordem dos 330 mil milhões Kz devido à fraca qualidade dos seus activos. A queda do rating obrigou a reconhecer imparidades sobre os títulos públicos na ordem dos 168 mil milhões Kz. Com uma elevada exposição da carteira dos activos do BPC aos títulos de dívida pública, terá contribuído para a queda dos prejuízos em 2021 o upgrade da Moody"s verificado em Setembro de 2021.

Em relação ao crédito, o BPC é hoje o nono banco com a maior carteira de crédito, isto depois de durante vários anos ter ocupado o primeiro lugar. A retirada do malparado das suas contas (e cedência à RECREDIT) nos últimos anos fez com que a sua carteira de crédito seja de apenas 64,3 mil milhões Kz quando, por exemplo, no final de 2018 era superior a 1,3 biliões Kz.

Quanto aos passivos, o BPC viu os seus depósitos caírem quase 10% para 1,3 biliões Kz, representando uma queda de 142,8 mil milhões Kz, um sinal de que os funcionários públicos e pensionistas têm procurado outros bancos para receber os seus rendimentos, desvinculando-se da obrigatoriedade de ter conta no maior banco público.

Para obter o balancete do IV trimestre de 2021 do BPC, o Expansão teve de o solicitar ao seu gabinete de comunicação, uma vez que a instituição bancária tem o seu site em baixo desde pelo menos Julho de 2021, na sequência de um ataque cibernético que ainda hoje está por controlar

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