Angolanos estão mais pobres e vivem menos tempo do que há quatro anos


De recessão em recessão, a economia angolana não tem sido capacidade para criar emprego para fazer face ao forte crescimento populacional. A esperança média de vida está a baixar há dois anos, quebrando uma tendência de subida desde o fim da guerra civil.

A pontuação de Angola no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2021/2022 medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento caiu pelo terceiro ano consecutivo, apesar de o país manter o lugar 148 em 191 países, alcançado em 2020. Os angolanos estão hoje mais pobres, o que afecta a esperança média de vida, que está em queda há dois anos, depois de estar sempre a subir desde o fim da guerra civil.

De acordo com o relatório que mede o desenvolvimento humano em 191 países, a esperança média de vida dos angolanos tem vindo a cair desde 2019, quando em média cada angolano vivia 62,4 anos, passando para 62,3 anos em 2020 e 61,6 anos em 2021/2022. Este indicador que tinha sido dos grandes ganhos do país desde o final da guerra civil está a ser penalizado pela crise económica e financeira que afectou o país nos últimos anos, agravando a pobreza e as dificuldades das famílias, mas também pela falta de respostas ao nível da saúde e da educação, cujo peso no Orçamento Geral do Estado continua distante dos parâmetros internacionais.

O País produz menos riqueza e longe vão os tempos em que o rendimento nacional bruto per capita era elevado, se comparado com outros países em desenvolvimento. Em 2010, o rendimento per capita duplicou face ao final da guerra civil para 6.912 USD e chegou aos 7.653 USD em 2015. De lá para cá, o rendimento per capita tem vindo a cair ano após ano, atingindo os 5.466 USD em 2021/2022 de acordo com o IDH.

E as causas são várias, com a principal a incidir no facto de a população estar a crescer a uma média de 3% ao ano, ao mesmo tempo que o País enfrentou cinco recessões económicas consecutivas iniciadas em 2016 e apenas ultrapassadas em 2021, o que faz com que Angola tenha estado a criar cada vez mais população pobre nos últimos anos já que a economia não tem tido capacidade para criar empregos para fazer face ao forte crescimento populacional.

Para o investigador Fernandes Wanda, o novo Governo está obrigado "a melhorar a qualidade da despesa pública, que pode ajudar a dinamizar o sector privado (particularmente aquele ligado ao produtivo), aumentando a oferta de empregos no sector formal da economia. Sabendo que as empresas e cidadãos pagam impostos, o Executivo, via tributação, poderá ter mais recursos para investir no sector social, contribuindo assim para a melhoria da qualidade de vida das populações".

E acrescenta que é necessário um crescimento económico robusto, sustentando pela via da produção, de forma a garantir a melhoria de vida da população que tem estado a perder poder de compra, ano após ano, devido ao "imposto escondido" que é a inflação, o que faz com que quase 60% dos gastos das famílias angolanas seja hoje em alimentação. "A esperança de vida está associada à qualidade de vida das pessoas, que depende dos rendimentos. Com o aumento do desemprego, particularmente entre a juventude, e sendo este o grupo maioritário em Angola, ajuda a compreendermos que neste contexto a esperança dos angolanos viverem mais, sem recursos, é diminuta".

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