Angola pode não ter vacina contra a covid – 80% já foi vendida aos grandes


A maior parte das vacinas contra a covid-19 já foram vendidas. Angola pode ter a vacina somente no fim de 2021.

Os países mais industrializados já compraram ou encomendaram mais de 80% das vacinas de combate ao coronavírus que vão estar disponíveis até ao próximo ano. A revelação é da presidente do Conselho de Economia da Saúde para Todos da Organização Mundial da Saúde (OMS), num artigo de opinião publicado na edição desta semana do jornal Valor Económico. 

Mariana Mazzucato defende que, mesmo contra os interesses de alguns governos e de laboratórios, a vacina deve ser distribuída de “forma justa e disponibilizada gratuitamente a todos os que dela necessitem”. Uma tarefa, no entanto, que poderá ser difícil de concretizar, já que, alerta a economista, “os países de rendimento elevado já pré-encomendaram doses suficientes para distribuir várias vezes pelas suas populações, deixando o resto do mundo possivelmente numa situação de escassez que nem permitirá cobrir as comunidades em maior risco”.

As vacinas, prestes a serem distribuídas, custaram cerca de 2.800 mil milhões de dólares. O valor foi gasto na investigação e na produção. Apesar de todo este investimento público, Mariana Mazzucato dúvida que tenha sido feito com a transparência que os próprios valores exigem. Por isso, defende que a covid-19 é um “teste perfeito” para saber se vai haver “uma abordagem mais centrada na saúde pública”.

O Reino Unido começou hoje, terça-feira, a distribuir a vacina gratuitamente à população mais vulnerável. O processo vai decorrer durante três meses. A OMS calcula que a vacina só vai chegar aos países de menos rendimento, como é o exemplo de Angola, no final de 2021. As autoridades angolanas asseguram a compra de 12 milhões de vacinas, a imunizar numa primeira fase pessoas de risco e profissionais de saúde.

O continente africano, segundo a Covax, vai beneficiar de 12 milhões de vacinas (número que Angola pretende comprar).

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