Pai coloca o próprio filho ao forno
Só com dois anos foi atirado ao forno. Imagine, pelo próprio pai.

“Uma deficiência pode dar a você uma nova maneira de ver o mundo e até novas oportunidades, mas é importante não deixar sua vida inteira girar em torno disso, porque isso pode acabar com você”, acrescentou.

Apesar do salvo positivo das viagens, o tratamento não foi algo fácil. Lyshoa precisou enfrentar duramente o preconceito das pessoas, especialmente na escola, onde as crianças eram muito cruéis. “Eu odiava as pessoas quando era mais jovem. Sentia que elas me tratavam como se eu fosse algum tipo de animal”, disse.

Apoiando-se na psicologia, ele finalmente conseguiu entender e aceitar sua condição, de modo que o ódio desapareceu, bem como o medo que tinha do fogo.

“Não foi minha escolha. Eu era pequeno. O que aconteceu, aconteceu. Se o resultado tivesse sido diferente, eu estaria morto e não haveria nada a ser feito, ou eu teria ficado morando em Buriácia. E só isso”.

“Eu amo fogo, amo lareiras, sei que pessoas que já se queimaram antes podem sentir medo (do fogo), mas eu não vejo o sentido de ter medo. Gosto de sua luz, do seu calor. É lindo. Posso observá-lo por horas”, acrescentou.

Atualmente Lyosha vive e estuda em Moscou. Ele admite ter perdoado o pai biológico pelo ataque, afirmando que quando ele deixou a prisão, retomou o contato.

Curiosamente, disse se interessar pela mítica ave fênix, que segundo a mitologia representa o triunfo sobre a morte, já que é dita ascender em chamas quando morre para depois renascer das cinzas. “Posso entender isso. Fui queimado quando criança e, de alguma forma, renasci das cinzas”, concluiu.

Em 2005, quando todos comemoravam a passagem do Ano Novo, seu pai, embriagado, lançou-o, junto ao irmão de apenas 14 meses, em uma fornalha em formato de forno abastecida com lenha. Enquanto o bebê não resistiu, Lyshoa conseguiu ser salvo pela mãe, mas sofrendo queimaduras graves na cabeça, ombros, braços e pulmões.

Conforme crescia, Lyshoa, que desenvolveu um princípio de fobia ao fogo, viu que as sequelas do incidente atrapalharem muitos seus sonhos, incluindo o de construir uma família ou ingressar em uma universidade.  

Ainda jovem, foi abandonado pela mãe, que não teve condições financeiras para cuidar dele, e forçado a viver com uma família em Moscou. Após décadas de tratamento, que incluiu viagens por quase metade do mundo para passar por cirurgias, ele recuperou parte de sua identidade.

“Estive na Suíça, nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Lituânia, em muitos lugares”, disse à BBC. “Tudo pelas minhas queimaduras. Fui a clínicas e a centros de reabilitação”.

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