Após chorar muito Filipe Mukenga ganha Prémio Nacional de Cultura e Artes
Filipe Mukenga acaba de ser distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, após chorar e lamentar.

A distinção ao autor de "humbi-humbi", "Ndilokewa" e "Eu vi Luanda" acontece um mês depois de o músico, considerado o "Rei do Jazz" angolano, ter reclamado por um galardão da parte do Governo e pedido, publicamente, apoio financeiro para o lançamento do seu novo trabalho discográfico.

«O Estado, não sei por que razão, ainda não se decidiu a galardoar-me», foram as palavras proferidas pelo artista de 72 anos de idade e mais de 50 de carreira, recentemente.

"Trinalidades é um disco que provavelmente será o meu último trabalho. Mas, infelizmente, penso que não vai ser lançado". Foram estas palavras com um semblante triste do consagrado músico quando questionado se já havia encontrado apoio financeiro para lançar o álbum inédito que reúne 36 músicas criadas em "tempo recorde", durante o primeiro ano de confinamento provocado pela Covid-19.

Em Junho deste ano, o artista havia revelado, em entrevista ao Expansão, que, para a produção e lançamento do referido projecto discográfico, necessita de 150 mil euros, cerca de 100 milhões de kwanzas. A obra envolve três álbuns com canções diferentes feitas a partir de poemas de Filipe Zau, Eugénio Lisboa, Manuela Baptista, Amélia da Lomba, Vanessa Pereira, Álvaro Macieira e Raul David. A ser concretizado, Trinalidades, segundo o também chamado "Mestre Kianda", será, provavelmente, o seu último trabalho discográfico, por isso volta a solicitar apoio para a edição.

"Todos os meus discos foram suportados pelas editoras às quais eu estava ligado contratualmente. Voltei à minha terra e não há editoras. O que funciona são os patrocínios, mas, devido aos actuais problemas económicos e financeiros, não há", chegou a sublinhar o "filho de Cabinda". .

Filipe Mukenga, cantor e compositor de 72 anos, é natural de Luanda, onde nasceu em Setembro de 1949. Começou a tocar em 1964 por influência dos Beatles. Colaborou com grupos como Os Brucutus, os Indómitos, The Five Kings, The Black Stars, Os Rocks, os Electrónicos, os Jovens e Apollo XI. Gravou o seu primeiro álbum, "Novo Som", em 1990 para a editora EMI-Valentim de Carvalho. Colabora ainda num dos temas do disco "Mingos & Os Samurais" de Rui Veloso. Em 31 de Maio de 1991 actua, conjuntamente com Os Tubarões, no Coliseu dos Recreios. "Kianda Kianda", O seu segundo álbum gravado em Paris para a editora Lusáfrica, foi lançado em 1994. Em 1996 é gravado o lítero-musical intitulado "O Canto da Sereia: o Encanto" em que é co-autor com Filipe Zau, actual ministro da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA). Outros cantores presentes no disco são Carlos Burity,Katila Mingas, Paulo Flores, Dino, Eduardo Paim e Fernando Tordo. Colabora também no disco "Luanda Lua e Mulher" de Filipe Zau. O tema "Eu vi Luanda" é incluído na banda sonora do projecto "O mar: a música dos povos de língua portuguesa" dos brasileiros Oboré. É um dos nomes escolhidos para a compilação "África em Lisboa" lançada pela EMI no ano de 1998

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