“Máquina de problema nas empresas angolanas”

Propus-me a reflectir e analisar este fenómeno “MÁQUINA DE PROBLEMA” dentro da nossa realidade sociológica mais propriamente no contexto organizacional quer público como privado de forma razoável e subjectiva, buscando o enfoque da Psicologia do trabalho e das organizações.

Ora bem, quando falamos de “máquina de problema” em termos técnicos, vimos que ela resulta da colocação indevida, inadequada no processo de montagem e manutenção da máquina de peças no lugar errado, causando desse modo particular o disfuncionamento da máquina, nas organizações acontece exactamente a mesmíssima coisa.

Ora vejamos, no ambiente laboral nos deparamos frequentemente com inúmeros casos de “máquina de problema” que na qual chamaríamos também em termos técnico de “intrusismo laboral”, que resulta na colocação indevida, inapropriada de funcionários em determinados cargos, sem reunirem os critérios necessários enfatizando a formação académica especializada, experiência, aptidões gerais e especificas para ocuparem ou desempenharem eficientemente tais cargos, que em muitos casos são de tamanha importância “chaves” para o funcionamento do aparelho da organização.

Ora, ainda nos deparamos com casos de funcionários com uma determinada formação especializada, com aptidões, competências direccionadas e vocacionadas ao sector X, não obstante é colocado no sector Y para desempenhar cargos que não condiz com o seu perfil profissional, nessas e noutras situações é quase inevitável que não se perspective “máquina de problema”, porque cada cargo tem as suas especificidades e exigências.

Exemplificando para melhor compreensão, um gestor de recursos humanos de formação e de vocação, é emprestado para trabalhar como psicólogo clínico, de igual modo um psicólogo de trabalho e das organizações de formação e de vocação é emprestado para trabalhar como técnico de informática, são essas e outras incongruências laborais que penalizam, condicionam o funcionamento normal de certas organizações, “remediar, improvisar nunca deve ser visto como uma opção absolutamente assertiva”, constato nas empresas uma falaciosa e perigosa ideia, funcionários acharem-se capazes de fazerem tudo.

DR

Actualmente assisto com muita preocupação e tristeza a inversão da pirâmide meritocrática, onde já não se estimula o mérito, os funcionários sem créditos firmados, sem capacidades e experiências reconhecidas para exercer determinados cargos e ainda assim são indicados “superiormente” para assumirem, em detrimento daqueles funcionários melhor preparados, com perfil profissional condizente ao cargo.

Cada peça no seu devido lugar, assim afirmou o Taylor, portanto para que tenhamos bom, excelente funcionamento da “máquina organizacional” nas mais diversas áreas ou sectores, é preciso colocarmos pessoas certas em lugares certos, para se atingir esse fim é todo imprescindível a organização constituir uma equipe multidisciplinar composto por psicólogo do Trabalho e das organizações, gestor de recursos humanos para encabeçarem o processo de seleção e recrutamento do pessoal e a posterior o treinamento do pessoal, etc.

Quando queremos fazer tudo, sem antes avaliarmos se de facto, temos ou não habilidades para o efeito, acabamos por ser aprendiz de tudo e mestres de nada, portanto é de todo recomendável, dar ao César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Defendo veemente a ideia de que a competência, a capacidade de execução e outras aptidões do funcionário deve sobrepor-se ao amiguismo, ao padrinhismo, favoritismo, nepotismo no ambiente laboral, desse modo para que tenhamos uma máquina organizacional verdadeiramente funcional em todas as facetas que a compõem, a colocação dos funcionários devem responder as reais necessidades, expectativas da organização e sobre tudo da especificidade, descrição do cargo, para que se atinja a produtividade, a satisfação, para então evitarmos a “máquina de problema” que só traz prejuízos avultados a organização.

É de todo recomendável que as organizações criem um quadro de referência ideal, definam os critérios de avaliação do desempenho do pessoal transparente, no intuito de promover a justiça laboral, a excelência e o mérito no âmbito organizacional.

Numa máquina quando a peça não corresponde as expectativas é logo substituído por uma outra peça para permitir o bom funcionamento da mesma, é preciso que as organizações adoptem este enfoque não obstante com ponderação, cautela profissional que se impõe, porque entendo que é errado pensarmos que as pessoas são insubstituíveis nos cargos que ocupam, é errado criarmos barreiras para que os outros não ascendam profissionalmente, portanto é de todo necessário colocarmos a cultura organizacional, os objectivos da empresa acima dos objectivos singulares.

Texto de Osvaldo Pinga Sumbo Manuel

SOBRE O AUTOR

SOBRE O AUTOR

Osvaldo Pinga Sumbo Manuel, amigo e amante do conhecimento geral, aspirante a psicólogo do trabalho (escrevendo monografia), gosto de observar e reflectir sobre os fenómenos sociais e concomitantemente escrever linearmente o que observo e reflicto (apaixonado pela observação, reflexão e pela escrita), leio quando posso não obstante aconselho-vos a ler sempre!

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