Mau atendimento, falta de algodão e outros medicamentos, é a dura realidade do hospital da Caop C
O centro de saúde estatal da Caop C, localizado no município de Viana, está sem medicamentos para assistir os cidadãos que acorrem aquela unidade hospitalar.
Crédito: Angop (Ilustração)

Os pacientes do centro de saúde da Caop são obrigados a comprar os medicamentos nas farmácias próximas do hospital para poderem ser atendidos.

Numa visita que o nosso portal fez a esta instituição sanitária, ontem, foi visível o número de pacientes que saiam com as receitas dos consultórios e salas de tratamentos (curativos). Segundo os pacientes o hospital carece de tudo, desde o algodão, seringa e um simples paracetamol. 

‘’Neste hospital nunca teve medicamentos, nós sempre compramos tudo que eles pedem fora do hospital. Aqui o Estado nos deu somente os médicos, o resto nos viramos’’, desabafou Maria Gaspar, uma paciente.

O relógio marcava 13 horas, hora do almoço, mas para quem está à procura dos serviços médicos e de melhorar a saúde, é mais uma hora de espera e puxar pela paciência apesar das fortes dores e febre. Tudo porque neste horário, todos médicos do banco de urgência vão almoçar e não atendem ninguém.

Atendendo ao número de pacientes em estado grave, a maioria com febres altas, a nossa equipa procurou saber da equipa porquê as enfermeiras substituíram ‘’o almoço pela saúde de mais de 20 pessoas’’, e porquê não fossem almoçar uma de cada vez. Ouvindo a nossa questão e o clamor dos pacientes impacientes e descontentes, um dos médicos disponibilizou-se atender os pacientes enquanto as colegas almoçavam. Almoço este, que levou quase uma hora.

O ponteiro do relógio marcava 14 em ponto, quando as enfermeiras retomaram com as consultas. Neste horário, dava entrada ao hospital, duas jovens trazendo o irmão adolescente gravemente ferido às costas, enquanto a outra segurava os pés coberto com trapo molhado de sangue. Com ares agitados e abatido, as jovens levaram o irmão até a sala de urgência, onde em menos de 1 minuto, saíram com uma receita dos medicamentos a comprar para o curativo.

Com o sol abrasador, a rondar os 30 graus centígrados, o adolescente que estava com o dedo médio quase cortado, depois de acertar mal a bola numa partida de futebol, consolava a dor com as lágrimas, enquanto o sangue escorria num saco amarelo, comprado por um dos funcionários de limpeza do referido hospital que ficou chocado com a situação. A todo gás, as irmãs do menor, foram a busca da mãe ao mercado da Caop, onde a mesma vende. 

A nossa equipa implorou as enfermeiras que assistissem o adolescente, por estar a perder muito sangue, estas apenas responderam, ‘’não temos materiais e nada podemos fazer’’. Já outros enfermeiros passavam pelo corredor olhando apenas pelo adolescente, como se tudo estivesse bem. Passando aproximadamente 20 minutos, a mãe do menor apareceu com as filhas no hospital, ao ver o filho, deitou uma lágrima e correu à farmácia. Após 30 minutos, a verter muito sangue e a contorcer-se com dores, o adolescente finalmente foi assistido, e levou 5 pontos.

De mau atendimento e falta de medicamentos não é tudo, apesar de ser uma instituição estatal, os pacientes contaram a nossa reportagem, que muitos funcionários priorizam os seus familiares e amigos, mesmo caso esteja alguém a sentir-se muito mal.

‘’Aqui neste hospital, até para atenderem se olham nas caras, muita gente não cumpre a ordem de chegada. Basta ser familiar ou comadre de alguém que trabalha no hospital, ou pagar uma gasosa, atendem bem rápido. Mas nós por não termos ninguém aqui, viemos às 6 e saímos às 15 horas’’, contou a paciente Juliana Mbica. 

Questionados sobre a falta de medicamentos no centro médico, as enfermeiras responderam, ‘’vão perguntar ao Governo porque não fomos nós que causamos a crise.’’ Tentamos contactar o director do referido centro, mas este não se encontrava na instiuição.

Apesar de ser um Centro de Saúde, os delinquentes fazem da parte traseira da instituição, onde funciona a PAV, o seu abrigo quando está muito sol, fumam e bebem no hospital e ninguém pode dizer nada, inclusive escrevem seus nomes nas paredes do hospital. Indagados se a direcção do hospital já apresentou queixa a polícia, um dos enfermeiros disse que ‘’sim’’, mas nunca apareceram para constatar a realidade. Para evitar o vandalismo, a direcção do hospital, decidiu aumentar o morro, de modo a impedir a entrada dos delinquentes que, fixam-se no local com a intenção de assaltarem os estudantes da escola situada ao lado oposto da unidade hospitalar. 

Outro facto observado pelos olhos clínicos da nossa reportagem, é a emissão de cartões de vacinas e atestados médicos, sem o solicitante fazer nenhum teste ou apanhar vacina, em troca de mil kwanzas.

As análises rápidas custam 300 kwanzas, ao passo que as análises laboratórios custam 700 kwanzas.  

O centro de Saúde da Caop C, faz parte dos dois únicos hospitais públicos existentes no bairro Caop, e atende maioritariamente cidadãos residentes na Caop A, B e C, bem como do bairro Ângelo, no município de Cacuaco.

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