BULLYING NAS ESCOLAS, CASO PARA REFLECTIRMOS SERIAMENTE
BULLYING, uma realidade presente no nosso sistema de educação, com maior incidência no ensino não universitário e privado, realidade que afecta directamente o estudante em termos físico, psicológico “emocional” e indirectamente todo um conjunto de objectivos que norteiam o processo de ensino e aprendizagem, porém estamos mediante há um problema pouco discutido, debatido nos meandros da nossa sociedade civil mais concretamente dentro da comunidade académica.

Ora bem, por ser um problema, fenómeno social que afecta os estudantes comprometendo desse modo os anseios, objectivos do ponto de vista da aprendizagem, logo deve merecer atenção especial de todos, sobre tudo dos académicos, não obstante procurei reflectir em conformidade aos factos ocasionais e situacionais, de acordo a responsabilidade social que tenho enquanto cidadão e dentro das minhas limitações cognitivas, descortinar essa realidade camuflada trazendo ao publico de forma apelativa e pedagógica.

O bullying é uma expressão anglicista que descreve actos de violência física e psicológica intencionais e repetidas, praticados por um ou vários indivíduos causando dor e angústia a outrem. Ora bem, pela definição que a literatura nos oferece, denota-se que objectivo primordial de quem recorre a prática do bullyng é sentir-se valente, superior mediante as suas vítimas, para atingir esse fim primordial descrimina, humilha, apoquenta, zomba, intimida, ameaça os julgados mais fracos, inferiores e por via deste sofrimento da vítima, o agressor ou os agressores sente-se ou sentem-se bem confortado/s. Estamos diante de um fenómeno repugnante a todos os níveis a verdade seja dita de maneira crua e nua, que está presente nossas instituições escolares quer públicas como privadas sendo as privadas com maior incidência, assistem-se recorrentemente situações que nos remetem ao bulliyng sem quaisquer dúvida aparente.

O bullying é um fenómeno manifesto em comportamentos agressivos, intimidatórias perpetrados geralmente por indivíduos adultos em relação as suas vítimas “presas”, fisicamente maior do que as mesmas, indivíduos com posse que ostentam “exibem” grandes marcas, indivíduos que julgam-se superiores, intocáveis, isento de qualquer punição, descomprometidos com a aprendizagem, que sentem prazer em castigar o próximo, contentam-se com o sofrimento dos outros, indivíduos agressivos, carente de amor, afecto, sem princípios da boa educação e da convivência harmoniosa, portanto temos muitos estudantes e professores no nosso sistema de ensino com as características mencionadas que recorrem a essa prática nefasta, desumana, “para desafogar as mágoas do passados para alguns” usando a sua condição para humilharem vítimas, deste modo enfatizarei duas perspectivas do bullying nas escolas, bullying na perspectiva estudante para estudante e na perspectiva professor para com estudante.

Perspectiva estudante para estudante, comummente os agressores insultam as suas vítimas, caluniam, espalham rumores e boatos a respeito, depreciam a imagem da vítima sem qualquer motivo aparente, danificam as suas coisas livros, cadernos e outros materiais escolares, agridem fisicamente as mesmas, impõem ordens, discriminam, humilham enfim, como consequências dessas situações as vítimas vão tendo desaproveitamento académico ou baixo rendimento académico, reprovação nalguns casos, nalguns casos as vítimas adoptam comportamentos agressivos em resposta aos agressores “espécie de mecanismo de defesa” e não só, outros desistem da escola e ainda temos aquelas pessoas que recorrem a tentativa de suicídio, a realidade nos mostra que habitualmente as pessoas propensas, vulneráveis a sofrerem o bullying são indivíduos com bom aproveitamento académico “inteligentes”, sem muitos recursos financeiros, indivíduos introvertidos, franzinos “magros” em termos físicos.

Porém é um fenómeno camuflado nas nossas escolas, universidades porque as vítimas normalmente não reagem, calam-se e sofrem calados, não denunciam aos pais, as direcções das instituições escolares as agressões físicas, psicológicas que sofrem dos colegas “agressores” e não só.

A outra perspectiva do bullying é do professor para com o aluno/a, manifesta-se das seguintes formas quando recorrentemente o professor intimida o aluno em voz alta rebaixando-o mediante os colegas, sem razões para tal atitude, quando ofende o aluno chamando-o de nomes visando baixar a sua auto-estima e autoconfiança expondo-o a humilhação, quando ameaça de reprovação, quando assume critérios de avaliação diferenciado para com determinados alunos, quando tortura fisicamente e psicologicamente os alunos…

EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

“Ora vejamos, já fui vítima directa e indirecta no ensino não universitário de bullying, tendo em conta o enfoque discriminatória e sei o quão doloroso é, o motivo dos insultos sempre foram os mesmos (pelo facto de carregar muito a letra R, quando pronuncio alguma palavra que leva a letra R, como diz-se na gíria a minha língua é pesada na pronunciação do R) todavia procurava formas, mecanismos de superação dia pós dia dos insultos que era vítima, alguns colegas chamavam-me de “langa”, no entanto esses insultos nunca influenciou negativamente nos meus resultados académicos no final de cada ano lectivo, antes pelo contrário era motivo para me esforçar mais e melhor, embora diga-se de passagem que houve incontáveis momentos em que sabia a resposta de algo não obstante calava-me, do mesmo jeito que houve momentos em que saí da sala de aula com dúvidas porque temia expô-las, porque os colegas murmuravam, sussurravam, contudo no ensino universitário o paradigma foi diferente, soltei-me, sentia-me mais a vontade para falar em público, para expor as minhas dúvidas, para responder as questões que punham-me, para tecer as minhas opiniões, em suma a experiência foi bem melhor, embora houvesse um ou outro colega que em vez em quando em gesto de brincadeira pressuponho, chamou-me de “langa” e eu por si só desprezava-os por achar imaturo as pessoas que assim procediam e insignificante os insultos…”

Estamos mediante a um fenómeno sério que deve merecer atenção especial dos académicos sobre tudo, discutido sem tabu, com rigor científico que se impõe, sob pena de termos o sistema de educação cada vez mais fragilizado, tendo em conta a desistência escolar das vítimas, baixo aproveitamento e aprendizado dos mesmos, suicídio, comportamentos agressivos aprendidos nas escolas, etc.

É de todo desejável que esses comportamentos agressivos sejam de facto criminalizados, para isso as vítimas devem denunciar os agressores, porque agressões ou ataques verbais, psicológicos, físicos constituem crimes tipificados na lei, difamação não fica a traz.

As consequências são terríveis: transtorno de ansiedade, mau rendimento escolar, agressividade, fobia mórbido, tentativa de suicídio, exclusão social, transtorno alimentar, tristeza anormal, depressão, distúrbio de sono, desistência a escola ou medo de ir a escola, síndrome de intestino irritável, etc.

Seria de todo pedagógico, se as escolas, as universidades promovessem continuamente palestras que visem desencorajar tais práticas, incentivar a mudança de consciência colectiva partindo do pressuposto singularizado “a maneira de pensar” dos estudantes e concomitantemente o comportamento “a maneira de agir” dos mesmos, ajuda-los a compreender realmente a importância da escola, da universidade nas suas vidas e de igual modo a desenvolverem a percepção assertiva de que a escola, a universidade são lugares onde produz-se conhecimento científico, onde respeita-se as diferenças individuais, faz-se amizade, onde respeita-se as liberdades, onde não se aceita ódio, desrespeito as normais sociais, descriminação, racismo em suma onde não se aceita o bullying, desse modo estaríamos a salvaguardar dignidade humana de cada um de nós, dignidade essa que a constituição faz questão de defender, e estaríamos evidentemente a ser solidários com as vítimas.

Ora bem, a família também é chamada sendo o pilar da sociedade, uma das instituições responsável pela moralização, educação dos indivíduos, “porque antes da escola está a família” a família cabe a transmissão dos imputes iniciais e necessários “valores morais e cívicos” que farão toda a diferença dependendo a forma como se transmitiu ao longo do desenvolvimento psicossocial do indivíduo, portanto a família é chamada para estabelecer uma ponte com a escola no intuito evidenciarem em conjunto esforços para a mudança desse paradigma que deixa a desejar, que em nada prestigia-nos antes pelo contrário.

É preciso que os estudantes aprendam a respeitar-se mutuamente, a respeitar o espaço do outro, as suas liberdades e garantias, as diferenças físicas, sociais e promovam de facto paz, harmonia, amizade, sobre tudo o mais importante o conhecimento científico, valores morais e éticos no seio das academias e não só, consciencializarem-se que o mundo faz-se com todos sem distinção de raça, religião, grupo étnico linguístico, cor partidária, todos mais todos somos úteis, iguais perante a lei humana e da natureza, somos chamados para construirmos uma sociedade melhor, mais próspera e inclusiva.

Gritemos bem alto stop bullying!

TEXTO: OSVALDO PINGA SUMBO MANUEL

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