Sobre a nossa Paz... e a Reconciliação nacional... Pensei...
Angola celebra o seu 16º. ano de Paz, desde o dia 4 de Abril 2002 que a guerra acabou e os angolanos e angolanas abraçaram um novo desafio, o desafio da reconstrução e reconciliação nacional.

Durante muito tempo (27 anos) os angolanos voltaram-se uns contra os outros fazendo guerra, e do calar das armas, até hoje o povo angolano consome um salário que parece vitalício chamado “estilhaços da guerra civil”.  

Um salário que até hoje mata angolanos e angolanas, pois em 16 anos de paz, não foi possível desanimar todo o território nacional, fazendo sempre o povo sofre de dor quando em tempo de paz uma mina é accionada matando um angolano ou angolana. O que faz com que a sociedade em geral relembre da magnitude da violência causada pela guerra.

Deste salário vitalício, em que todos, absolutamente todos, recebem em igual medida, é possível ainda encontrarmos atitudes, discursos de mágoas, de insatisfação, de tudo... menos de reconciliação. 

É impossível falar-se em reconciliação nacional, quando no dia em que se celebra a paz, os principais actores do conflito, não aparecem juntos, vestidos de branco, por cima do mesmo palco, sentados a mesma mesa, sendo todos tratados de forma igual e até em momentos de discursos, e no final do dia o abraço entre todos ser do tamanho de uma Angola una!

Em 16 anos, não reconciliamos, chicoteamos, chicoteamos os ditos perdedores, com os discursos inapropriados que relembravam sobre “quem destruiu, quem matou, e quem reconstruiu”, e muitas vezes esses discursos, eram da Assembleia Nacional que vinham.

O que seria de nós se tivéssemos reconciliados? Se tivéssemos o sentido de que somos “Todos” um “TODO”, e não somos “PARTES” de um “Todo”.?  Provavelmente a resposta seria retirada no Estado feliz em que se encontraria a nossa economia, pois o discurso da diversificação da economia não novo, e nem é de quem governa. 

É de quem nunca governou, e sempre chamou atenção pelos perigos da dependência petrolífera que estávamos envolvidos e que só não lhe foi dado ouvido porque não estamos reconciliados. 

Nesta nossa adolescente paz, de 16 anos, e que de facto é uma idade problemática, os angolanos ainda não conhecem saúde e educação de qualidade, nem tão pouco conhecem os benefícios de ter um país rico, e usufruir pelos seus salários desta riqueza. 

Nestes 16 anos, e de paz, quem governa, desde 75 e diz ter experiência, deveria bem saber que a prioridade é o Capital Humano e não o Betão.

Em 16 anos, e de paz... O grito dos angolanos deveria ser conjunto, a historia deveria ser contada em conjunto, e de facto seria uma história e não estória. Somos todos angolanos, sem que existam uns mais angolanos que os outros, por isso é imperioso que se repense de como temos vivido a nossa paz, se falar de Jamba em Luanda e vice-versa ainda é sinal de revolta.

Os vícios da guerra no seio da sociedade só vão terminar quando periodicamente, O MPLA, UNITA e FNLA sentarem-se na mesma mesa, pedirem desculpas ao povo angolano, e intensificarem as atitudes de união e concórdia, unirem todos os militantes e de branco festejarem a paz, e mais do que isso... agirem com sentido de Estado...

Um só povo... Reconciliação nacional... Liberdade... Paz e prosperidade! Angola em primeiro.

Texto de Imisi de Almeida

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