Silvia Jorge: Parem de as matar!
A violência contra a mulher é o direito humano mais violado em Angola.

Conheço Luanda como namorada. Sou a Silvia Jorge, caucasiana nas viagens dos portugueses e da branquitude opressora europeia, dou visibilidade a artistas e narrativas extraordinárias, vivo em Amsterdam.

Está agendada para dia 2 de Novembro uma marcha pacífica de protesto contra a violência naturalmente exercida sobre as mulheres em Angola.

Digo naturalmente porque a violência acontece institucionalizada e motivada pelo privilégio que os homens sentem em relação às mulheres, define-se como violência de género.

Para a maioria dos angolanos a mulher é um bem de consumo funcional, como um carregamento da Unitel ou abastecer gasolina no automóvel, espera-se que não complique nem avarie no desempenho das tarefas nem tenha pensamento crítico, a mulher existe para servir o homem angolano em todo o seu esplendor de necessidades, anseios e caprichos. 

As mulheres são exploradas financeiramente, deixadas para trás em terras inférteis, violadas para corrigir traições, mortas porque não apimentaram a sopa, e engravidam porque é a função delas e tudo isto é normal. 

A questão da violência contra as mulheres é não ser reconhecida como violência. Numa sociedade angolana - patriarcal, polígama e religiosa cabe aos homens o direito de rejeitar nas mulheres o que não lhes serve, por vezes trocando-as por outras, acumulando parceiras, famílias e filhos. 

A violência de género assim como o racismo são difíceis de desinstalar porque promovem a ideia de privilégio que os homens sentem por direito. Nascer homem é nascer privilegiado, exercer essa natureza-ideia só os torna mais pessoas. 

A desumanização da mulher - (dou dois exemplos: negar ou dificultar o acesso à educação – formação ou condicionar o seu desenvolvimento pessoal restringindo-a à vida privada ou às tarefas da casa. 

Induzir a maternidade obrigatória e compulsiva, porque essa é a sua função como mulher) acomoda e gera a violência de género, educa crianças masculinas e femininas para a natural superioridade do homem social e publico, forma uma cultura opressora e o tecido social desigual recai sobre a mulher oprimida e solitária. 

Esta coisa da herança da superioridade segundo alguns africanistas foi levada pelos brancos até África. É mesmo isso? 

É mesmo uma questão de agenda do homem negro não prioritizar a humanização da mulher negra, porquê? Porque se elas fossem brancas não as matavam, a mulher branca vem com um voucher de status, a preta com a esfregona. 

A questão não está nos homens, são as ideias que têm de mudar. Desumanizar ou retirar a condição humana foi a justificação usada pelos brancos para escravizar os negros categorizando-os como uma subespécie humana. 

Por agora não pretendo focar sobre racismo ou opressão, mas quero que pensem sobre a desumanização das mulheres quando educarem os vossos filhos e filhas, tomem uma atitude, parem de as matar e vão marchar contra a violência, no dia 2 de Novembro. 

Deixo uma lista de links para consulta sobre a violência contra as mulheres angolanas 

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