As declarações foram feitas no programa Angola Fala Só da VOA emitido na passada sexta-feira dia 09, a partir de Washington DC.
DR

Convidado a comentar a informação ainda não confirmada oficialmente pelo MPLA, mas transmitida pela Rádio Nacional de Angola e posteriormente retomada pela imprensa internacional de que o General João Lourenço deverá ser o cabeça de lista do MPLA nas próximas eleições gerais em Angola marcadas para 2017, Rafael Marques criticou o facto de as autoridades angolanas terem mantido até ao momento um silêncio absoluto sobre a decisão, descrevendo-a como "uma falta de respeito para com o povo angolano".

O jornalista e activista dos Direitos Humanos salientou que a indicação de João Lourenço dentro do MPLA é uma clara demonstração de “transmissão do testemunho autocrático”, um processo que é a continuação dos “processos anti-democráticos do levanta a mão”. “Houve um processo autocráticodentro do MPLA” pelo que a escolha de João Lourenço “não é parte de um processo democrático e começa mal”. Acrescentou.

Para Marques, a nomeação de um general e actual ministro da Defesa para possivelmente suceder a José Eduardo dos Santos é também um sinal da “militarização do regime”. É um sinal da vontade do MPLA em controlar a defesa. Não há intenções de reformas. O activista sublinha ainda que a saída de José Eduardo dos Santos representa um grande alívio, mas chama a atenção da necessidade de se ter cuidado.

Durante o programa, um ouvinte procurou saber do activistas e há verdade nos rumores propagados nas redes sociais que João Lourenço não é angolano e que nasceu na República Democrática do Congo. Marques foi peremptório: “João Lourenço é cidadão angolano tal como José Eduardo dos Santos o é”. Para o vencedor do prémio da Transparência Internacional, que tem sido um incansável combatente contra a corrupção, disse que para se combater a corrupção em Angola “tem que haver vontade política”.

Esperava-se que fosse oficializada a informação neste sábado, 10, durante as celebrações do 60.º aniversário do partido no poder realizadas no estádio 11 de Novembro em Luanda, o que acabou por não acontecer, tendo o acto sido proferido por João Lourenço e com a ausência de José Eduardo dos Santos.

REAÇÕES

6
0
0
0
0
3
0
0

COMENTÁRIOS