Professores universitários admitem falta de liberdade académica em Angola
A informação foi dada esta quarta-feira, aquando da realização de um inquérito em oito estabelecimentos de ensino superior, onde conclui-se que a liberdade académica não é discutida entre a maioria (60%) dos docentes e que 33% admite poder ser perseguido e morto por dedicar-se à ciência com rigor.
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"Não me sai da cabeça o facto de muitos professores nem sequer terem noção de que existem em Angola instrumentos jurídicos que os protegem do ponto de vista da liberdade científica. Isso para mim foi chocante. Um jornalista tem que ter consciência que a sua arma é a liberdade de expressão, o mesmo se aplica ao professor, em que a sua arma é a liberdade científica", disse Domingos da Cruz, professor universitário e activista cívico.

Portanto entre outros dados, resultantes de 17 perguntas, 53% dos professores inquiridos assumiu ainda desconhecer a existência de qualquer lei angolana sobre liberdade académica, 23% admitiu conhecer pelo menos um aluno perseguido por agir com rigor científico e 33% confirmou temas de fim de curso que são impostos aos estudantes por razões partidárias. 

"São números altíssimos e é por isso que afirmo que se traduz naquilo a que eu chamo o ciclo do medo. Também explica,  de alguma maneira, o nosso estado de estagnação civilizacional, de acordo com os valores universais e dos direitos humanos. Existem mesmo muitos professores que nem sequer discutem sobre o assunto", apontou, Domingos da Cruz.

Por outro lado, Domingos da Cruz, garantiu tratar-se do primeiro trabalho nacional sobre liberdade académica, e que será oficialmente lançado a 14 de Março, por meio da internet.

Fonte: Lusa

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