Pastor mata fiel ao tentar cura-lo no Zaire
Um cidadão de 41 anos morreu, terça-feira, na residência de um suposto pastor de uma certa seita religiosa, que também se fazia passar por terapeuta tradicional, no bairro 11 de Novembro, em Mbanza Kongo, província do Zaire.

João Nguitukulu Remos permaneceu internado na casa de oração durante três semanas, na tentativa de ver curada uma ferida crónica que o afectava na perna direita. A residência do pastor servia, igualmente, de local de culto, onde se encontravam outras dezenas de pessoas que padeciam de outras patologias. 

Familiares da vítima contactados pelo Jornal de Angola disseram que o pastor exigiu o pagamento de 300 mil kwanzas para sarar a ferida, cuja doença é conhecida tradicionalmente por “mbasu”. A perna do malogrado apresentava um inchaço que provocava dores intensas, sobretudo às noites. Do valor cobrado pelo pastor, apenas foi pago metade.

Uma prima da vítima, Maria Mpele Timóteo, explicou que há três dias que o seu parente se confrontava com insuficiência de sangue, por falta de assistência médica adequada. Conta que o pastor impediu que o paciente fosse evacuado para o Hospital Provincial do Zaire.

“Ainda em vida, pedimos diversas vezes ao pastor para nos liberar o doente para, posteriormente, levá-lo ao hospital para um melhor acompanhamento, mas, infelizmente, preferiu não atender o nosso pedido”, lamentou. 

Maria Mpele Timóteo disse que, depois de o paciente estar completamente debilitado, o suposto pastor entrou em pânico e arquitectou uma fuga, daí que os moradores do bairro alertaram ao vê-lo retirar parte dos seus pertences e denunciaram-no à Polícia. 

Depois de informarem à Polícia, de acordo com o familiar do malogrado, foram ao local, tendo-se deparado com o cadáver. 

O porta-voz da delegação do Ministério do Interior, Carlos Fidel, explicou que o suposto pastor realizava cultos de forma clandestina e que a morte de João Remos foi uma surpresa para a vizinhança. 

Carlos Fidel explicou que até ao momento se desconhece o paradeiro do guia, que deverá responder judicialmente pelo crime. 

Fonte: Jornal de Angola

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