MAKANGOLANDO: E se todo gatuno fosse queimado a mão?
Quando pequeno, cresci a ouvir relatos dolorosos de pessoas que foram queimadas as mãos por alegadamente “roubar” na panela ou o kumbú no garrafão/cafocolo dos velhos, como forma de servir de exemplo aos demais, que actos ilícitos são severamente punidos.

Naquele tempo tinha de se ter “coragem de feiticeiro” para roubar, todos viviam num clima de medo e respeito, sobretudo, excepto os mais vijús auxiliados pelos bajus que desde cedo começaram estuprar o cofre da República engravidada pelo petróleo.

Viajando pelo tempo, lembro da história do meu vizinho António, hoje um kota recto e porreiro, carrega as marcas da queimadura nas mãos. Na época foi queimado com óleo (a borbulhar) pela própria mãe, pelo facto de “roubar” um bolinho. Bem como, de um familiar que descobriu o roubo de alguns kwanzas, após sentir o “pelendoce”.

Nos dias que correm ainda observasse e ouve-se relatos de marginais queimados em hasta pública, apesar do Direito à Vida estar consagrado constitucionalmente (artigo 30 da CRA), e a justiça por mãos próprias constituir crime.

Mas, e, se todo gatuno fosse queimado a mão?

Todos somos iguais perante a Lei, assim dá-nos a conhecer o artigo 23 da CRA, independentemente da posição social ou cor partidária, temos os mesmos direitos e devemos ser responsabilizados pelos nossos actos. Ou seja, todo gatuno deve ser queimado (punido) severamente, principalmente aqueles que estupram os cofres do Estado, mata(ra)m a saúde, educação e deixam os pacatos cidadãos nos cacos.

Com os novos ares que o país respira, a tónica é o combate a corrupção e impunidade, mas, para tal, é necessário que a Lei seja pesada para os “inimigos do desenvolvimento”, deste modo estaríamos a queimar as mãos dos gatunos e desencorajar àqueles que pretendem segui-los.

Se assim for, teremos uma angola livre dos gatunos.

Por Guilherme Francisco

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