Makangolando: A mão que segura a bíblia é mesma que mata nos hospitais
Não é por acaso que o homem domina a lista dos seres vivos que mais mata no planeta, nem o mosquito abundante em Angola consegue superar as vítimas das ditas ovelhas “insensíveis” guiadas por Jesus Cristo, escondidas em batas brancas nos hospitais.

As águas no sector da saúde continuam sujas, apesar das mudanças efectuadas, o cheiro podre ainda é sentido nos hospitais públicos de todo país.  

Muitos cidadãos continuam a morrer aos olhos de profissionais da saúde, à boca do Ministério de tutela, com ares impávidos, por falta de assistência médica, alegada falta de medicamentos e materiais gastáveis. Eh…, aqui na banda é assim, se não tens “padrinho na cozinha” ou kitadi, morres na porta da clínica, como um cão rafeiro sepultado pelas rodas das viaturas na Fidel Castro (via expressa).    

Afinal o que corrigir?               

Quando pessoas doentes madrugam no hospital, ficam horas a fios (depois de três meses de espera para a consulta) aguardar pela doctora que supostamente estava na unidade hospitalar, e num piscar de olhos baza sem deixar rastos, para facturar numa privada. Quanta insensibilidade de quem alegadamente jurou salvar vidas e diz ser cristã, arrogantemente grita e vira as costas aos doentes, e pede kumbú para não partires à outra dimensão! 

Será que é culpa dos 3.6 porcentos de migalhas no Orçamento Geral do Estado, que continua dar vida às armas em 16 anos de paz? Ou é falta de humanismo?  

Por ocasião do Dia Mundial do Doente, assinalado ontem, domingo, Papa Francisco, líder da Igreja Católica, mais uma vez disse aos cristãos: “a caridade exige que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento.”

Mensagem enterrada em milésimas de segundos, com direito a comba antecipado, por médicos cristãos  de ouvidos mercadores, porque aqui o amor à vida (uma qualidade defendida por Deus, e um direito protegido constitucionalmente) esfriou. O mesmo cristão que dança em louvor à Deus e segura a bíblia é o que nos mata no hospital.

Por Guilherme Francisco

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