José Eduardo dos Santos nomeou Norberto Garcia para combater a corrupção
O ex-director da extinta Unidade Técnica para Investimento Privado (UTIP), Norberto Garcia, acusado de estar envolvido no caso em que o Estado seria lesado em 50 mil milhões de dólares, por via de um suposto cheque falso, denunciou, segunda-feira, actos de corrupção que eram praticados naquela instituição antes de lá chegar.

“Quando nós entrámos para o investimento privado, a maior parte do pessoal que funcionava no Estado exigia fazer parte das sociedades. Eu gostava de saber se dos 65 projectos que passaram por mim - estamos a falar de 24 mil milhões e 400 mil dólares - se sou sócio de algumas dessas empresas”, desafiou Norberto Garcia, numa audiência que serviu para as alegações finais e orais, em que o Ministério Público e o seu advogado pediram a absolvição. 

“Quem souber de algum caso de corrupção em que esteja envolvido Norberto Garcia que denuncie”, voltou a desafiar o réu, que responde em prisão domiciliária.

Norberto Garcia fez essas afirmações depois das alegações dos representantes do Ministério Público e dos advogados, quando o juiz presidente da causa, Domingos Mesquita, concedeu a última palavra aos dez réus presentes na sala para que, em sua defesa, dissessem o que lhes ia na alma. Norberto Garcia foi o mais eloquente e o que mais tempo levou para defender-se das acusações do Ministério Público. 

O ex-secretário para a informação do MPLA afirmou que detesta a corrupção e que foi chamado pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, exactamente para combater a que existia no investimento privado. Norberto Garcia sublinhou que o ex-Titular do Poder Executivo tinha boas referências dele. 

Norberto Garcia disse que, quando entrou para a UTIP, encontrou actos que eram praticados em troca de 500 mil dólares. Para a admissão do investimento privado era 250 mil dólares. O réu afirmou que se enveredasse por tais práticas teria na conta pessoal 2 biliões e 4 milhões de dólares. Norberto Garcia “jurou de pés juntos” que durante a sua presença na UTIP sempre respeitou a Lei.

“Peço ao Tribunal que pondere, que faça aquilo que foi aqui dito pelos advogados e Ministério Público. Sinto-me completamente inocente. Sou uma pessoa dedicada à causa do país”, disse. 

Mais comovente foi a ré Celeste de Brito. Com a voz trémula, a empresária pediu desculpas aos juízes, ao povo angolano e aos filhos por o julgamento do caso “Burla Tailandesa” ser uma vergonha para o país, mas negou que tenha lesado o Estado.

O seu único interesse, disse, foi sempre o de investir em Angola com apoio das parcerias privadas estrangeiras.

De salientar que o Ministério Público pediu nesta segunda-feira, 8, a absolvição de Norberto Garcia no caso da chamada "Burla Tailandesa", em que 11 pessoas são acusadas de tentativa de burla ao Estado no valor de 50 mil milhões de dólares.

Fonte: Jornal de Angola

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