“Governo falha sempre, por falta de planeamento”, Isidro Fortunato
O pensador angolano Isidro Fortunato, chama atenção ao governo pelo facto de ainda existir uma planificação ao seu ver, nas medidas de execução de planos “antes de Legislar e Penalizar infracções que em certa medida o mesmo Governo participa através da manutenção de péssimas políticas públicas”.

1) Questão da Burocracia no tratamento de documentos

UMOJA - O Governo de Angola precisa começar a Planificar e a executar o planeamento antes de Legislar e Penalizar infracções que em certa medida o mesmo Governo participa através da manutenção de pessimas politicas públicas.

Está errado tal como a "Operação Resgate" que se transformou em um fiasco que quase deitou por terra o capital politico e a popularidade alcançada por Jlo nos últimos tempos.

O Governo Angolano falha sempre, por falta de planeamento adequado para implementação de políticas publicas, não basta um grupo de pessoas decidir e aplicar leis, muitas vezes aplicadas por pessoas que na maior parte das vezes não têm a real visibilidade do problema, é preciso estudar reais causas e localizar cronologicamente o problema, fazer o devido enquadramento social e então fazer a implementação de soluções por fases.

Precisamos lembrar que viemos de um "estado falido" na questão de políticas públicas, um estado que por muito tempo alimentou e acumulou vícios no interior de instituições do estado, a burocracia, a corrupção o clientelismo no tratamento de documentos e toda morosidade sempre constituiu um calcanhar de Aquiles na aquisição de documentação diversa.

A ilegalidade de cidadãos passou a ser uma consequência ajustada a causa da corrosão das instituições

No entanto antes que se penalize e se tome medidas drásticas sobre qualquer pratica que constitui ilegalidade, é urgente que se reestruture todo o sistema operacional de emissão de documentos, para que se dê a possibilidade dos cidadãos terem seus documentos em dia, um sistema que seja actuante desburocratizado e eficiente, uma vez promovidas estas políticas no interior das instituições então estas leis passam a ter legitimidade de actuação e penalização.

É urgente e uma época de melhorar o que esta bom e corrigir o que esta mal que o governo acabe de uma vez com a política de cobrar o que não oferece.

Lembre que você vem de um Estado que tinha dinheiro para pôr um Satélite Milionário em órbita, mas não tinha "plástico" para imprimir documentos, lembre igualmente que você vem de um estado que tinha dinheiro para imprimir cartões de leitores mas não tinha plástico para imprimir Bilhetes de identidade, um estado onde suas prioridade assentavam no lucro de um grupo de pessoas identificadas que ficaram conhecidos na história como "Marimbindos".

2) A Questão social do consumo de Alcool, a falta de iluminação pública e seus impactos na sociedade

Mais de 80% dos acidentes na autoestrada estão ligados ao consumo de álcool e também a fraca iluminação dos espaços públicos, você não pode simplesmente penalizar o cidadão e deixar de fora as responsabilidades do Governo, que políticas o Governo sem com relação ao consumo de álcool? Que políticas o Governo tem com relação a iluminação de espaços públicos e autoestradas? 

As péssimas políticas publicas do Governo facilitam os acidentes e os crimes, logo soa injustiça penalizar o cidadão sem penalizar quem cria as condições adequadas para que se processe a violência na autoestrada.

A questão do consumo excessivo de álcool também precisa ser melhor estudada, um estado corrupto cria a sociologia de exclusão e alimenta diversos elementos danosos a consciência social, é preciso que se regule o consumo de álcool na sociedade angolana, preciso que se controle o fluxo de propaganda sobre bebidas alcoólicas na TV e nas ruas nos outdoors e toda forma de publicidade, igualmente para cartazes de festas, que têm sido elementos indutores associados a imoralização social e consumo de álcool etc.

O Cérebro humano se alimenta de imagens e inconscientemente associa imagens a produção de desejos e vícios, é preciso que se regule e se criem leis sobre o consumo de álcool, as vendas nas ruas e que se cadastre vendedores e revendedores, uma sociedade esta visivelmente em decadência quando o álcool é um a industria de sucesso, tão bem sucedida que nos últimos anos abriram mais fabricas de cerveja do que de bens alimentares.

É caso para se dizer que existe uma certa prioridade no investimento da industria do álcool, investidores precisam ser desincentivados, porque o álcool além de ser uma industria lucrativa, ela não entra em alinhamento com qualquer agenda de desenvolvimento social, tornando-se um elemento antagônico a qualquer agenda social que não pode ser ignorado, existem mais de 12 marcas operacionais com grande capacidade de produção e todas elas têm como principal mercado, o consumo interno.

Fala-se muito pouco sobre isso porque os grandes accionistas os donos das fabricas de cerveja são na verdade pessoas politicamente expostas que sempre trabalharam contra quaisquer políticas que pusesse em causa o lucro colossal do consumo de álcool na sociedade Angolana.

Localização histórica: o álcool sempre teve sua aplicação na recreação mesmo nas sociedades tradicionais Africanas, usado para momentos de alegria e celebração, bebidas fermentadas tradicionais como o Kimbombo, Caporroto, vinhos, Maruvo, vinho da palmeira e outros sempre foram muito presentes nas comunidades Africanas, nenhuma sociedade pré-colonial Africana, tem registros de decadência registrados devido ao uso do alcool.

O álcool actua directamete sobre o espirito, e então este elemento sempre foi cautelosamente regulado nas sociedades Africanas, existem também registos de que no antigo Kemet os operários eram pagos com cerveja, e que eram administrados antibióticos nas cervejas para combate diversas doenças e a fadiga, porém o álcool foi também amplamente usado como arma de guerra colonial nos contactos coloniais e no estabelecimento da sua influência, é preciso analisar que existem dois padrões de consciência de indução ao consumo do álcool:

  • 1º - Aqueles que usam em rituais de celebração e recreação, 
  • 2º - Aqueles que se refugiam no mesmo para escapar as mazelas sociais.

O primeiro conduz a reflexão do meio social e o segundo a degradação, imoralização e redução do homem consequentemente a sua dominação, a aplicação do álcool na imoralização das populações Africanas foi preponderante nas manobras políticas coloniais, para corrupção das elites comunitárias e os agentes do poder tradicional que causou a fragilizarão e destruição dos códigos morais locais permitindo o avanço do comportamento cultural Europeu em África, nestes aspectos o álcool configura a impotência dos actores sociais em lidar com problemas comuns.

Texto de Isidro Fortunato Fortunato

Marabane Nguluvi Nkopengwa

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