Escassez de combustíveis volta a tirar sono aos automobilistas
Os postos de abastecimento de combustíveis de todo o país, mas com mais destaque para a cidade de Luanda, voltaram estes dias a não ter gasóleo e gasolina para os clientes porque a Sonangol não tem divisas disponíveis para importar produtos petrolíferos refinados e tem em mãos o problema acrescido das elevadas dívidas das empresas industriais.

A falta de divisas e os grandes montantes em dívida das diversas indústrias nacionais, que estão por detrás de mais uma falha generalizada de combustíveis nas bombas de gasolina, têm na origem a crise que o país atravessa desde 2014, ano em que o petróleo perdeu abruptamente valor nos mercados internacionais, retirando a Angola a principal "motorização" da sua economia por ser responsável por mais de 90 % das exportações nacionais e, assim, pela entrada de divisas nos cofres do Estado.

Na tarde de sexta-feira e no Sábado, em Luanda, começaram a surgir as longas filas nas bombas de gasolina que, já hoje, engrossaram em frente a indicações em placas com a inscrição: "Não há gasolina e gasóleo".

A Sonangol, num comunicado enviado às redacções no Sábado, explica que a esmagadora maioria dos combustíveis consumidos em Angola são comprados no exterior em divisas e são vendidos no território nacional em Kwanzas, tendo esses valores atingido, só no primeiro trimestre deste ano, mais de 221,4 milhões de dólares.

Sublinhe-se que a gasolina, por exemplo, é actualmente vendida a 160 Akz, menos de metade do valor médio do que custa importar, segundo algumas fontes, este combustível nos mercados internacionais na moeda norte-americana, que, como é sabido, passou, no início de 2018, de pouco mais de 165 Akz por dólar para os actuais 326 kwanas por cada dólar, devido ao programa de depreciação em vigor deste Janeiro do ano passado.

A Sonangol, no mesmo comunicado, explica esta falha no abastecimento com avarias nos navios de cabotagem que transferem os combustíveis para terra, ou o mau estado das estradas e as condições climatéricas.

A empresa avança, no entanto, que a resolução do problema já está em curso e há combustíveis importados em processo de descarga para serem distribuídos, porque a única refinaria em Angola, a de Luanda, construída na década de 1950, tem apenas capacidade para responder a cerca de20 por cento das necessidades nacionais, o que corresponde a pouco mais de 60 mil barris por dia quando o país carece de pelo menos 200 mil.

Duas novas refinarias, recorde-se, estão em fase de lançamento em Angola, uma em Cabinda, com capacidade para 70 mil barris de crude bruto refiando por dia, e a do Lobito, com 200 mil barris diários de capacidade.

Fonte: Novo Jornal

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