Elias José Francisco ou simplesmente “Elias Dia Kimuezo”, ‘’o rei da música angolana’’, nasceu no bairro Marçal, em Luanda, aos 02 de Janeiro de 1936. Aos 7 anos de idade, torna-se órfão, facto que o obriga mais tarde, aos 12 anos a ir morar em casa da avó, no bairro Sambizanga, onde aprende a falar fluentemente o kimbundo, e começa dar os primeiros passos numa carreira feita pelo mundo e recheada de vários prémios.

Entrevista

Apesar da idade, o rei da música angolana mostrou-se atento a nova geração, numa conversa descontraída com o Angola-Online, onde o actual contexto da música nacional (Semba) foi o pano de fundo.

Que avaliação faz do semba actual?

Hoje o semba vive uma outra realidade, diferente do que era no meu tempo. Existem muitas coisas que eram feitas naquela altura, e hoje já não se faz sentir, e outro grande problema por parte desta geração, é o fraco conhecimento das línguas nacionais.

Visto que muitos dos novos fazedores do semba, fazem interpretações dos grandes clássicos da sua geração ou até mesmo as suas músicas. Qual é o seu ponto vista em relação a isso?

Eu já tive muitos problemas em relação a isso, na sua maioria gravam e interpretam as músicas alheias sem autorização dos proprietários. A título de exemplo, aconteceu com o Eddy Tussa, que gravou uma música minha sem autorização. E por sua vez, esta falta de humildade é que faz com que as musicas feitas por eles saem de forma deturpada, ou seja, muitos deles interpretam as músicas sem saberem o que estão a interpretar.

Qual é o papel da UNAC para resolução destes problemas?

Nós artistas temos a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) para nos defender. Mas infelizmente isso não acontece, porque se estivesse a funcionar, tudo isso seria diferente, haveria maior responsabilidade e muitos destes músicos seriam obrigados a pagar direitos autorias ou ainda receberiam penalizações graves.

Mas a responsabilidade de Direito do Autor não é da SADIA?

Sim eles é que eram os responsáveis pela vitalidade das obras, mas hoje quase que não se faz sentir a sua presença.

Sente que o semba vive um momento crítico?

Diz-se que tudo no mundo muda, o mundo está em constante mutação e com o semba isso não foi diferente. O estilo acompanhou a evolução e foi-se.

Perdeu-se a essência do semba?

A essência da música nacional angolana está a desaparecer. Já não se toca a marimba, cabetula, sekessa e tantos outros. A não ser uma vez ou outra no Carnaval. Em poucas palavras, o semba está sendo brutalmente atropelado.

Como está indo o projecto da escola de música, continua com a falta de professores?

A escola de música é uma ideia que tive já há algum tempo. Contei com algum apoio na altura mas não foi suficiente. Como podem constatar, esta mesma por de trás da minha casa. Mas o grande problema mesmo é a falta de profissionais para trabalhar nela.“A minha luta é ter uma banda minha e assim servir de exemplo”

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