Khris MC: Nós (angolanos) parecemos europeus dentro de África
Ao contrário do que se pode imaginar, existe perfil de mulheres angolanas que integra a matriz da africanidade. Uma destas mulheres é a guerreira Khris Mc. Em entrevista ao nosso portal, a rapper fala da sua visão, seus novos desafios e os beefs entre a Força Suprema e Projecto X.

Desde muito cedo, apesar de não sonhar ser cantora, viu que a música vai mais além do ritmo dançante, é um instrumento para comunicar. Mesmo assim, sentiu receio pela má interpretação das suas músicas por parte de certas pessoas. E leva consigo duas paixões: “Música e dança.”

AO- Existe diferença entre a jovem Khristina e a rapper Khris Mc?

KMC: Claro que existe, sou a mesma pessoa, mas duas em uma. Como artista tenho, uma visão e uma preocupação diferente, e forma de estar em palcos e tudo mais. E é muito diferente do que sou no dia-a-dia, daí a necessidade, a ideia que tive de escrever o meu nome artístico de modo diferente. 

Eu sou extrovertida, muito à vontade, amiga dos meus amigos, no palco acabo por levar um bocado desse meu lado, e levo com uma certa seriedade. No palco acabo ser uma pessoa mais séria do que no meu dia-a-dia, qualquer profissional ainda que não seja um artista, no local de trabalho tem uma postura totalmente diferente da que tem em casa. 

AO- Nas suas letras musicais procura sempre passar a mensagem sobre os desafios da África. Existe uma luta particular em que se caracterizas? 

KMC: Caracterizo-me sempre como uma mulher africana, na verdade, estou numa fase de reencontro da nossa identidade, acredito que todos nós, principalmente jovens intelectos, com um certo grau de análise crítica, consegue perceber aculturação que a nossa sociedade está sofrer.

As pessoas conseguem notar as roupas que uso nas minhas actividades, quero passar à identidade africana. Nós (angolanos) parecemos mais europeus dentro de África, acredito entre os países africanos, somos os mais aculturados, nos influenciamos com tudo e recebemos de tudo. 

AO- O que esteve na base da sua saída da Sleep Records, do DJ Soneca?

 KMC: Eu conheço o DJ Soneca há mais de 7 anos, muito antes do sucesso do Fuba. Fizemos alguns trabalhos juntos, desde o remix do Aleluia e Fuba. Mas, depois do período da minha gestação, ganhei preguiça de fazer música, não tinha motivação. 

Passado algum tempo, ele (DJ Soneca) desapareceu e não se comunicava com ninguém. Isso fez com que gravasse o meu EP numa outra produtora. Não tenho nada contra ele, desvinculei-me porque achava mesmo que não estava a dar mais certo continuar. 

AO- O que achas do Rap Feminino?

KMC: Eu costumo dizer que não existe “Rap Feminino”, é uma opinião minha que muitos contrariam, sinto que é uma forma de descriminação, mas aceito que as pessoas tratem assim. 

AO- Há diferença entre o rap feito por mulheres e por homens?

KMC: Não. Existe o machismo, dizem que os homens são melhores que as mulheres, o que habilita o ser humano é o seu cérebro, as mulheres têm, tal como os homens, agora, em que aspecto é que ele (Homem) é melhor do que eu?

AO- Qual é análise que faz do beef entre o Projecto X e Força Suprema? 

 KMC: Eu não consigo perceber as reais motivações que levaram os membros do Projecto X beefar a Força Suprema. Dizem que o beef faz parte do rap, não concordo, assim tenho uma opinião diferente, penso que, conflitos há em todas áreas. O beef é quando há contrariedade, é atacar o outro. Dizer o beef é natural no rap, discordo.

 AO- Após participação no Projecto RapVolução. Tem novos projectos em carteira para 2017?

KMC: Terminei a gravação do meu (EP), na “MP3”, o dono abriu-me as portas e foi bom trabalhar com ele. Gravamos 10 músicas, mas quero que o EP contenha apenas 7 músicas. Ainda não tenho data, mas sairá ainda neste ano.

 AO- Deixe uma frase para os jovens.

 KMC: “Eu sou pela mudança, acredito que todos nós ( jovens) devemos ser pela mudança, principalmente quando já somos pais”.

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