Dia Internacional do «Arguido»
Por: Imisi de Almeida: Peixinhos, Peixes e Peixãos.... O efeito dominó a caminho... e na minha pequenez... pensei....

Sempre foi normal vermos nas páginas sobre justiça dos órgãos de comunicação social, a acusação e julgamento que por vezes acabavam em condenação de reles cidadãos que se encontravam em conflito com a lei, o que nas sociedades organizadas é assim que se deve proceder, aliás, o homem-social necessita de regras jurídico-sociais para discipliná-lo nos seus contactos interrelacionais, e quando o mesmo se mostrar desalinhado do padrão mínimo exigido para a normal convivência social, é imperioso que se o reprenda, tendo em vista a prevenção geral, desincentivando a prática de crimes futuros e de igual modo reeduca-lo para que volte ao convívio do clã social.

Sempre nos foi normal ver, ler e ouvir sobre o simples cidadão que roubou a galinha, os gados lá no nosso rico interior, do cidadão que burlou, do cidadão que engravidou e por isso foi detido (Sim, aqui é assim, quem tem estrelas no ombro faz e “diz” ..., que desfaz). 

Cidadãos da dita classe baixa sempre foram os únicos que cometiam crimes e eram expostos em plena praça pública, e como Jesus já fez questão de acabar com o “festival do atira pedras” no lugar das pedras, sempre foram os discursos de quem governa e dispensa responsabilidades que recaiam sobre os cidadãos culpando-os por tudo e se ainda tivéssemos na época dos Tribunais do Santo Oficio sem dúvida alguma seria um “Bye-bye poor people” ...  Afinal, esses sempre foram os peixinhos...

Depois, e não com muita frequência foi-nos possível ver algumas figuras com responsabilidades políticas, a serem acusadas, julgadas e condenadas... Quem não se lembra do caso jindungo e igualmente do caso Quim Ribeiro? 

Em Angola o poder político sempre assumiu um discurso anticorrupção, mas nunca deu sinais claros de que o objectivo era acabar com a impunidade, a corrupção. 

Nem Santos, nem Marias na PGR saíram dos discursos durante largos anos, fazendo parecer que Angola era o país com os melhores gestores do mundo, sendo que poucos ou quase nenhum dos gestores públicos tinham problemas com a Justiça. 

O que realmente parece, é que nem se quer na lista dos dez países mais transparente da SADC, Angola consta. No estudo feito pela Transparency International (corruption Perception index 2012-2016) o Botswana, Ilhas Maurícias e a Namíbia lideram a lista dos dez países mais transparentes da SADC.

Foi preciso chegar em 2018 para falarmos em casos do tipo “Fundo Global” em que o Ex-ministro da Saúde nada mais fez como declarante a não ser passar vergonha dizendo que não conhecia a ré. 

Foi preciso chegar em 2018 para falarmos sobre a Sonangol-EP que sempre foi uma torneira aberta para os interesses pessoais/empresariais dos tipos lá de cima. Foi preciso chegar em 2018 para um ex-Governador do Banco Central angolano ser constituído arguido.

Foi preciso chegarmos aqui para o ex-director da Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), e o ex-PCA da extinta Agência para a Promoção do Investimento e Exportações (APIEX) serem constituídos arguidos...  Agora, meus senhores, façamos uma reflexão do que terá mudado desde o dia 23 de Agosto de 2017 até aqui... afinal esses sempre foram os peixes...

De todos esses acontecimentos, há quem pense que tudo isso não passa de uma farsa ou encenação, então me pergunto, e quem? Quem é que está escrevendo as cenas dessa peça teatral? 

Será mesmo que os actores principais aceitaram fazer parte deste teatro? Ou será que alguém está realmente interessado em fazer (ou pelo menos tentar) diferente, mesmo que para isso tenha de destruir as peças de um dominó? 

Afinal, José Filomeno dos Santos “Zenu”, Isabel dos Santos, e Geraldo Sachipengo Nunda... Não são peixinhos, nem peixes... São Verdadeiros Peixãos.

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